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Congresso dos EUA desafia Trump: Câmara e Senado aprovam medida histórica de poderes de guerra contra o Irã

Redacao
24 de junho de 2026 às 15:13
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Congresso dos EUA desafia Trump: Câmara e Senado aprovam medida histórica de poderes de guerra contra o Irã

Foto: The White House – Divulgação

Em um ato simbólico de rara unidade institucional, o Congresso norte-americano aprovou, na última quarta-feira (24 de junho de 2026), uma resolução concorrente que determina a suspensão imediata de ações militares contra o Irã — a primeira vez que ambas as câmaras agem em conjunto desde a promulgação da War Powers Resolution de 1973.

A decisão, contudo, carrega um peso mais político do que jurídico. Diferentemente de projetos de lei tradicionais, resoluções concorrentes não exigem a sanção presidencial e refletem apenas a vontade do Legislativo. Especialistas como Laura Blumenfeld, analista do Oriente Médio, classificaram o ato como um “tapa na mão” do que um “grilhão“, destacando sua natureza não vinculante. “Reflete, sobretudo, o sentimento do povo americano”, afirmou Blumenfeld à BBC.

Contexto: A guerra de poderes entre Trump e o Congresso

O presidente Donald Trump já sinalizou que ignorará a resolução, seguindo o histórico de seus antecessores. Desde 1973, nenhum mandatário cumpriu integralmente as determinações da War Powers Resolution, e os tribunais raramente interferem em questões de defesa nacional. Michael Glennon, professor de direito da Universidade Tufts, resumiu a situação: “Na prática, isso provavelmente não fará grande diferença. O significado é político.

Divisões partidárias e o futuro da política externa

A aprovação da medida — ainda que simbólica — expõe fissuras entre a Casa Branca e o Congresso, dominado por uma coalizão bipartidária. Em 2019, Trump vetou uma resolução semelhante sobre o envolvimento dos EUA na guerra civil do Iêmen, demonstrando sua resistência a restrições legislativas ao uso da força militar.

Para especialistas, o episódio reforça a tensão crescente entre as instituições americanas, especialmente em um cenário de eleições presidenciais iminentes. Enquanto a resolução não altera o status quo imediato — o conflito com o Irã permanece congelado —, ela pode servir como munição para os adversários de Trump nos debates sobre soberania e separação de poderes.

Implicações globais: Um recado à comunidade internacional

A iniciativa do Congresso chega em um momento crítico para a política externa dos EUA. O Irã mantém sua postura de “resistência” contra sanções internacionais, enquanto Teerã e Washington negociam, de forma indireta, termos para um eventual acordo nuclear. Analistas sugerem que a resolução, mesmo sem efeito prático, envia um sinal de divergência estratégica aos aliados e adversários, reafirmando a crescente polarização interna nos EUA.