Foto: Divulgação / Ecobiotech
Tecnologia desenvolvida em Ribeirão Preto aposta no monitoramento inteligente para reduzir acidentes com escorpiões e aprimorar estratégias de controle urbano
Tecnologia surge em meio ao avanço dos acidentes com escorpiões no Brasil
O crescimento contínuo dos acidentes provocados por escorpiões no Brasil tem impulsionado o desenvolvimento de novas soluções voltadas ao controle desses animais. Diante desse cenário, uma startup sediada em Ribeirão Preto apresentou, em junho de 2026, uma tecnologia inédita no país voltada ao monitoramento de áreas infestadas. Desenvolvida pela Ecobiotech, a Scorpfem é uma armadilha adesiva livre de substâncias tóxicas criada para capturar escorpiões e permitir o acompanhamento da infestação sem a necessidade de eliminação imediata dos espécimes.
A novidade chega em um momento de preocupação para as autoridades sanitárias. Informações do Ministério da Saúde apontam que o número de acidentes envolvendo escorpiões cresceu 83% entre 2017 e 2025, ultrapassando a marca de 150 mil ocorrências registradas por ano. Entre as espécies responsáveis pela maior parte dos casos está o Tityus serrulatus, conhecido popularmente como escorpião-amarelo.
Segundo especialistas, o combate convencional costuma concentrar esforços apenas na eliminação dos animais encontrados, deixando de lado aspectos fundamentais, como o mapeamento dos focos de infestação e a compreensão do comportamento de deslocamento dos escorpiões, informações consideradas essenciais para um controle mais eficiente.
Armadilha utiliza atrativo alimentar e dispensa o uso de venenos
A Scorpfem foi desenvolvida com um bioindutor de atração alimentar, uma isca formulada para reproduzir características de alimentos presentes naturalmente no ambiente dos escorpiões. Ao serem atraídos, os animais ficam retidos na superfície adesiva da armadilha, permitindo a coleta de informações sobre a infestação.
Como não utiliza qualquer tipo de veneno, o equipamento pode ser empregado em residências, condomínios, empresas, órgãos públicos e outros locais com histórico de presença de escorpiões, sem representar riscos adicionais para pessoas, animais domésticos ou para o meio ambiente.
Cada unidade possui capacidade para capturar diversos exemplares, facilitando o levantamento da distribuição dos animais e a identificação de áreas críticas que demandam ações preventivas.
“A Scorpfem não apenas captura, mas fornece dados em tempo real sobre a densidade populacional e a sazonalidade dos escorpiões”, explica Marina Silva, bióloga e CEO da Ecobiotech. “Com essas informações, gestores públicos e empresas podem agir de forma estratégica, direcionando ações de prevenção para áreas de alto risco antes que ocorra um surto de acidentes.”
Solução aposta em controle inteligente e apoio à saúde pública
Incubada no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia, a Ecobiotech desenvolveu a tecnologia com a proposta de substituir abordagens convencionais por um modelo baseado em monitoramento contínuo e tomada de decisão orientada por dados.
Diferentemente de práticas como a aplicação de inseticidas ou a captura manual, que frequentemente provocam a morte dos escorpiões ou fazem com que eles migrem para outras regiões, a Scorpfem permite acompanhar a dinâmica da infestação de maneira não letal.
Outro diferencial apontado pelos desenvolvedores é a ausência de componentes tóxicos, fator que reduz impactos ambientais e amplia a segurança da utilização em ambientes internos e locais de grande circulação de pessoas.
Pesquisadores destacam que o acompanhamento permanente da população de escorpiões contribui para identificar fatores que favorecem sua proliferação, como acúmulo de entulho, deficiência no saneamento básico e alterações nas condições climáticas.
“A Scorpfem pode ser uma ferramenta-chave para prevenir surtos, especialmente em regiões com clima tropical, onde a reprodução dos escorpiões-amarelos é acelerada”, comenta Dr. Ricardo Oliveira, pesquisador da Fiocruz e consultor em controle de pragas.
Comercialização avança e tecnologia começa a ser adotada
A Ecobiotech já iniciou a venda da armadilha por meio de parcerias firmadas com prefeituras de municípios do estado de São Paulo e empresas responsáveis pela administração de edifícios e condomínios.
Com preço sugerido de R$ 49,90 por unidade, além de condições diferenciadas para compras em grandes quantidades, a solução vem despertando interesse de gestores públicos que buscam reduzir os custos relacionados ao atendimento de vítimas de acidentes com escorpiões.
Apesar da receptividade, a empresa reconhece que a adoção em larga escala ainda enfrenta obstáculos. Entre eles estão a necessidade de profissionais capacitados para instalar as armadilhas, interpretar os dados obtidos e a resistência de organizações que continuam priorizando métodos tradicionais de combate.
“Mudar a cultura de controle de pragas leva tempo”, reconhece Marina Silva. “Mas os resultados já mostram que, em 60 dias de uso em um condomínio de Ribeirão Preto, reduzimos em 70% os avistamentos de escorpiões após a implementação da Scorpfem.”
Biotecnologia amplia perspectivas para o controle sustentável de escorpiões
A Scorpfem integra uma nova geração de tecnologias voltadas ao monitoramento não letal de pragas urbanas, em sintonia com estratégias de sustentabilidade e saúde pública.
A expectativa da Ecobiotech é ampliar a distribuição da armadilha para outros estados brasileiros até 2027, consolidando o uso da biotecnologia como ferramenta para enfrentar desafios relacionados à saúde ambiental e ao manejo de espécies de importância médica.
Para a empresa, compreender o comportamento dos escorpiões representa um passo decisivo para reduzir acidentes e tornar as políticas de prevenção mais eficazes.
“Não se trata apenas de capturar um escorpião, mas de entender o ecossistema urbano e agir de forma preventiva”, conclui a CEO.

