DayNews
Notícias

Crise humanitária se agrava na Venezuela; cinco números mostram a dimensão da destruição

Missias
30 de junho de 2026 às 15:37
Compartilhar:
Crise humanitária se agrava na Venezuela; cinco números mostram a dimensão da destruição

Os danos provocados pelos terremotos na Venezuela já somam US$ 6,7 bilhões em perdas diretas, conforme estimativa das Nações Unidas. Foto: Planet Labs

Cinco dias após os abalos sísmicos, número de mortos aumenta, milhões de pessoas dependem de ajuda e prejuízos bilionários evidenciam a dimensão da maior catástrofe recente do país.

Mortes, feridos e milhões de afetados

Cinco dias após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte da Venezuela, as equipes de resgate seguem mobilizadas na busca por desaparecidos sob os escombros. Enquanto as operações avançam, o balanço oficial da tragédia continua aumentando, revelando a dimensão do desastre humano e material provocado pelos tremores.

De acordo com o presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, o número de vítimas fatais chegou a 1.719 pessoas. O total de feridos também foi atualizado para 5.034, acima dos 3.238 registrados anteriormente.

A crise humanitária se agrava com o deslocamento de milhares de famílias. Segundo o governo, 15.866 famílias perderam suas moradias. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que cerca de 1,8 milhão de pessoas necessitem de assistência emergencial, entre elas aproximadamente 680 mil crianças.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) projeta um cenário ainda mais amplo, indicando que até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos impactos diretos e indiretos dos terremotos.

Centenas de réplicas mantêm população em alerta

Além dos dois terremotos principais, o país permanece sob intensa atividade sísmica. Segundo dados oficiais, mais de 430 réplicas foram registradas desde o desastre.

Somente no domingo, a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis) contabilizou mais de 20 novos tremores. O mais intenso alcançou magnitude 4,3 e ocorreu durante a madrugada no oeste venezuelano.

Os abalos também foram percebidos em parte da Região Norte do Brasil, causando oscilações em edifícios altos. Apesar do susto, não houve registros de vítimas ou danos estruturais significativos em território brasileiro.

Escala Richter

 
< 2,0 Imperceptível
2,0 – < 3,0 Normalmente imperceptível, mas mensurável
3,0 – < 4,0 Frequentemente perceptível, mas raramente causa danos
4,0 – < 5,0 Objetos se movem, vibrações são ouvidas, danos são improváveis
5,0 – < 6,0 Edifícios vulneráveis sofrem danos, edifícios robustos apenas danos leves ou nenhum
6,0 – < 7,0 Destruição severa e fatalidades em áreas mal construídas, casas bem construídas geralmente sofrem menos danos
7,0 – < 8,0 Colapso de edifícios e destruição generalizada em grandes áreas são prováveis
8,0 – < 9,0 Destruição severa e número muito alto de mortes são prováveis em áreas de algumas centenas de quilômetros de extensão.
9,0 – < 10,0 Destruição devastadora e número muito alto de mortes em áreas que se estendem por cerca de mil quilômetros.
≥ 10,0 Jamais foi medido

 

 

 

 

Força-tarefa internacional amplia operações de resgate

A resposta internacional continua crescendo para reforçar as buscas por sobreviventes. Atualmente, 3.319 profissionais estrangeiros participam das operações, apoiados por 140 cães farejadores, 49 veículos especializados e cerca de 84,8 toneladas de equipamentos, medicamentos e materiais cirúrgicos.

Segundo a presidente interina, Delcy Rodríguez, já chegaram ao país equipes de El Salvador, México, República Dominicana, Suíça, Equador, Espanha, Chile, Colômbia, Países Baixos, Itália e Estados Unidos.

O Brasil também integra a missão humanitária. A operação coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) mobilizou inicialmente 37 bombeiros militares, três técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsáveis por auxiliar na localização de aparelhos celulares que ainda possam emitir sinal sob os escombros.

A delegação brasileira levou ainda cães de resgate, uma caminhonete e aproximadamente dez toneladas de equipamentos.

O apoio europeu também foi reforçado com a chegada de especialistas da Espanha, Áustria, Itália, Luxemburgo, Bélgica, Estônia e do Centro de Coordenação de Resposta a Emergências da Comissão Europeia (ERCC). No total, 14 países da União Europeia já disponibilizaram profissionais, equipes médicas, especialistas em telecomunicações e suporte técnico.

Paralelamente à mobilização internacional, milhares de venezuelanos participam voluntariamente das ações de resgate e da distribuição de doações. Dados oficiais apontam que 7.876 pessoas se cadastraram para atuar como voluntárias em Caracas.

Prejuízo bilionário compromete infraestrutura do país

Os danos econômicos provocados pelos terremotos já são estimados em cerca de US$ 6,7 bilhões (aproximadamente R$ 34,6 bilhões), conforme avaliação preliminar por satélite realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O montante representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.

O levantamento considera apenas os danos diretos causados à infraestrutura e aos bens materiais. Segundo o Pnud, o impacto econômico total poderá alcançar valor até três vezes superior quando forem contabilizados os custos de reconstrução, perdas econômicas e prejuízos indiretos.

Cerca de 1,7 milhão de edificações sofreram algum tipo de impacto, concentradas principalmente nas áreas mais atingidas. Hospitais, escolas, estabelecimentos comerciais e imóveis residenciais figuram entre as estruturas danificadas.

No Distrito Capital, onde está localizada parte de Caracas, o Unicef contabilizou danos em 432 escolas. As unidades que permaneceram em condições de uso passaram a servir como abrigos temporários para famílias desalojadas.

“Os hospitais estão operando acima da sua capacidade, milhares de meninos e meninas não têm acesso seguro à água potável e muitas escolas sofreram danos”, afirmou Manuel Rodríguez Pumarol, representante do Unicef na Venezuela.

Segundo o governo venezuelano, houve destruição completa de 189 edifícios, enquanto mais de 600 sofreram danos parciais. Também foram afetados 38 hospitais, 44 centros comerciais e outras 1.645 estruturas classificadas como de diferentes naturezas.

Diante do cenário, o governo criou grupos técnicos responsáveis por vistoriar as construções comprometidas e elaborar planos para a reconstrução das áreas atingidas.

Comunidade internacional amplia ajuda humanitária

Além do envio de equipes especializadas, diversos países e organismos internacionais anunciaram assistência financeira e remessas de suprimentos para atender a população afetada.

Os Estados Unidos destinaram US$ 150 milhões (cerca de R$ 775 milhões), recursos que serão distribuídos entre o Programa Mundial de Alimentos da ONU, a organização International Medical Corps e um fundo humanitário das Nações Unidas.

A União Europeia anunciou uma contribuição inicial de 5 milhões de euros (aproximadamente R$ 25 milhões) voltada ao fornecimento de abrigo e assistência médica. O papa Leão também destinou 100 mil euros (cerca de R$ 590 mil) provenientes do fundo de caridade do Vaticano.

A China informou que enviará US$ 14,7 milhões em ajuda emergencial, incluindo suprimentos gratuitos para as operações de resgate, apoio à futura reconstrução e imagens de satélite para auxiliar na localização de vítimas. Pequim afirmou ainda estar preparada para ampliar a cooperação “à medida que a situação evoluir”.

Suíça, Índia, Colômbia, Equador e outros parceiros internacionais anunciaram o envio conjunto de mais 71 toneladas de materiais de emergência, entre medicamentos, alimentos, equipamentos de cozinha, itens de higiene, mosquiteiros e outros insumos essenciais para atender a população atingida.