O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, desqualificou nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, as alegações do governo norte-americano de que os ativos iranianos descongelados seriam utilizados para aquisição de produtos agrícolas dos Estados Unidos. A resposta do líder iraniano veio após dias de declarações de Donald Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que sugeriram que um possível acordo temporário de paz — que resultaria no desbloqueio de fundos — beneficiaria diretamente os agricultores estadunidenses.
Ghalibaf acusa EUA de ‘plantação de desconfiança’ em resposta à chantagem econômica
Em publicação na plataforma X, Ghalibaf afirmou que as promessas de Washington são ‘falsas’ e que a única colheita que o Irã obteria com o acordo seria ‘a safra que vocês plantaram: décadas de desconfiança’. A mensagem, carregada de simbolismo agrícola, foi interpretada como uma rejeição categórica à narrativa norte-americana, que tenta vincular a liberação de recursos à compra de commodities estadunidenses.
Críticas internas a Trump enquanto negociações avançam sob tensão regional
As declarações ocorrem em um contexto de crescente pressão política sobre a administração Trump, que enfrenta críticas de parlamentares republicanos pela condução da estratégia militar contra o Irã e pela assinatura de um memorando de entendimento que suspendeu as hostilidades para viabilizar negociações de paz. Paralelamente, a tensão geopolítica persiste, como evidenciado pela travessia de um petroleiro no Estreito de Ormuz, desafiando ameaças da Guarda Revolucionária Iraniana.
Irã rejeita lógica de ‘benefício mútuo’ imposta pelos EUA
Analistas internacionais destacam que a postura iraniana reflete uma estratégia de não submissão a condicionantes econômicas impostas por Washington, mesmo em um cenário de negociações. A recusa em alinhar a destinação de ativos a interesses comerciais dos EUA sinaliza que Teerã busca reconfigurar as relações bilaterais em termos de soberania, afastando-se da lógica de ‘benefício mútuo’ defendida pela Casa Branca.

