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Ex-presidente do Fed Alan Greenspan, arquiteto da economia americana moderna, morre aos 100 anos

Redacao
22 de junho de 2026 às 12:38
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Ex-presidente do Fed Alan Greenspan, arquiteto da economia americana moderna, morre aos 100 anos

© AFP

O início de uma carreira política e econômica

Alan Greenspan iniciou sua trajetória nos corredores acadêmicos em 1945, quando ingressou na Universidade de Nova York como estudante de economia. Na época, já demonstrava sinais do que viria a ser sua marca registrada: uma fé inabalável nos mecanismos de mercado livre, influenciado por pensadores como Ayn Rand, com quem manteve laços pessoais e intelectuais. Sua formação acadêmica, embora não tenha incluído doutorado, foi suficiente para lançar as bases de uma carreira que redefiniria a política econômica global.

Ascensão nos bastidores do poder financeiro

Após concluir seus estudos, Greenspan rapidamente se integrou ao ecossistema de consultoria econômica de Nova York. Sua habilidade em traduzir teoria em prática chamou a atenção de instituições financeiras e empresas, levando-o a prestar serviços como consultor econômico independente. Essa expertise o levou, em 1967, ao convite para ingressar no board do JP Morgan, onde consolidou sua reputação como um estrategista capaz de antecipar tendências macroeconômicas em meio ao desmonte do sistema de Bretton Woods e à emergência do dólar como moeda de reserva global.

Legado controverso e o paradoxo Greenspan

Nomeado presidente do Federal Reserve em 1987, Greenspan permaneceu no cargo até 2006, período em que se tornou uma das figuras mais influentes do século XX. Sua gestão, marcada pela defesa do ‘capitalismo laissez-faire’, foi simultaneamente celebrada por evitar recessões profundas e criticada por sua complacência diante da expansão de bolhas especulativas — culminando na crise financeira de 2008. O paradoxo de Greenspan reside justamente nessa dualidade: um economista que pregava a mínima intervenção estatal, mas cuja autoridade foi decisiva para resgatar o sistema financeiro em momentos de colapso. Com sua morte, encerra-se uma era em que a política monetária deixou de ser um mero instrumento técnico para se tornar um fenômeno geopolítico.