Negociações agropecuárias avançam em paralelo ao duelo futebolístico
Em meio à expectativa pelo confronto entre Brasil e Japão na Copa do Mundo de 2026, realizado nesta segunda-feira (29) em Houston, as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países demonstram que o esporte não é o único campo de disputa. Enquanto as atenções se voltam para o gramado, a pauta agropecuária ganha relevância estratégica: o Brasil busca consolidar a exportação de carne bovina para o Japão, um mercado que importa 70% de seu consumo anual — equivalente a US$ 4 bilhões — majoritariamente dos EUA e Austrália.
Protocolo sanitário em discussão há cinco anos
Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), os esforços brasileiros para ingressar no mercado japonês de carne bovina já duram mais de 20 anos. No entanto, o protocolo sanitário mais recente, em negociação há cerca de cinco anos, segue como ponto crítico. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e a indústria exportadora atuam em conjunto com o governo para viabilizar o acesso, enquanto o Japão mantém barreiras sanitárias rigorosas.
Potencial de US$ 4 bilhões em jogo
O Japão, quarto maior importador global de carne bovina, representa uma oportunidade significativa para o Brasil ampliar sua participação no comércio agrícola asiático. Atualmente, os EUA e a Austrália dominam 80% desse mercado, mas a crescente demanda japonesa por diversificação de fornecedores e a reputação brasileira em segurança alimentar podem acelerar as tratativas. Especialistas destacam que, caso o acordo seja firmado, o Brasil poderia se tornar um player-chave na cadeia de suprimentos japonesa até 2030.
Consequências econômicas e geopolíticas
A abertura do mercado japonês não só impulsionaria as exportações brasileiras — atualmente focadas em China, Hong Kong e Estados Unidos — como também reduziria a dependência do país asiático de fornecedores ocidentais. Para o agronegócio brasileiro, que já responde por 27% das exportações globais de carne bovina, a medida significaria um salto qualitativo na inserção internacional, alinhado à estratégia de expansão para mercados de alto valor agregado.

