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Setor automotivo alerta para riscos de corrosão e desgaste com novo teor de etanol de 32% na gasolina

João Oliveira
15 de julho de 2026 às 13:39
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Setor automotivo alerta para riscos de corrosão e desgaste com novo teor de etanol de 32% na gasolina

Atualmente, a gasolina contém 30% de etanol, porém o governo aprovou uma medida para aumentar essa porcentagem para 32%. Foto: Agência Brasil

Entidades representativas das montadoras cobram testes aprofundados e apontam vulnerabilidade em veículos antigos, importados e motos

Divergências técnicas sobre a mistura de biocombustível e posicionamento das marcas

A proposta de elevação do teor de etanol anidro misturado à gasolina comercializada no mercado brasileiro para o patamar de 32% (mistura denominada E32) gerou uma forte divisão técnica entre os órgãos governamentais e a cadeia industrial de transporte. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) manifestaram formalmente preocupação quanto à segurança mecânica da medida. As entidades solicitam a realização de uma bateria adicional de ensaios laboratoriais e de rodagem de longa duração antes que ocorra a homologação e a distribuição definitiva do novo composto de combustível fóssil e renovável nas bombas.

O posicionamento do setor automotivo contesta de forma direta as conclusões de relatórios técnicos elaborados sob a coordenação do governo federal, que sinalizavam a viabilidade imediata do incremento sem prejuízos ao funcionamento dos motores em circulação no território nacional. As fabricantes argumentam que os dados atuais são insuficientes para garantir a durabilidade de componentes internos sob uso severo e contínuo da mistura com maior densidade de álcool.

Pontos de vulnerabilidade mecânica e categorias de veículos sob maior risco

Os engenheiros das montadoras concentram os alertas em três nichos específicos da frota nacional de veículos, que apresentam particularidades construtivas propensas a danos provocados pelo etanol:

  • Veículos Antigos de Tecnologia Monocombustível: Motores projetados exclusivamente para o consumo de gasolina pura ou com baixos teores de mistura carecem de materiais resistentes ao caráter corrosivo do etanol. A presença de 32% de biocombustível pode acelerar a degradação de condutos de borracha, juntas de vedação, componentes metálicos de bombas de combustível e bicos injetores.

  • Modelos Importados Sem Calibração Local: Diversos veículos importados de alta performance ou de luxo são calibrados nas matrizes estrangeiras para rodar com padrões internacionais de combustível (geralmente com limites de até 10% ou 15% de etanol). A utilização da gasolina E32 nesses propulsores pode provocar falhas de leitura em sensores, perda de potência e até detonação precoce na câmara de combustão (conhecida popularmente como batida de pino).

  • Motocicletas de Baixa Cilindrada: Pela simplicidade de seus sistemas de alimentação e pela exposição de partes plásticas e metálicas, os motores de duas rodas apresentam alta sensibilidade a variações químicas severas no combustível, o que eleva a probabilidade de entupimentos e falhas na partida a frio.

Defesa governamental da pauta verde e necessidade de transição gradual

Por outro lado, os defensores do aumento da mistura — alinhados às diretrizes de descarbonização da matriz energética nacional — sustentam que a medida desempenha um papel fundamental para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa pelo setor de transportes, além de impulsionar a cadeia produtiva do agronegócio de biocombustíveis. O governo federal aponta que a tecnologia flex fuel, amplamente disseminada no mercado brasileiro há mais de duas décadas, confere à maior parte da frota de carros de passeio a capacidade de adaptar-se eletronicamente a variações na mistura sem comprometer o desempenho básico.

As fabricantes de veículos, contudo, reiteram que a tecnologia flexível atenua os problemas de funcionamento imediato através do gerenciamento eletrônico da injeção, mas não anula o desgaste físico acelerado e de longo prazo causado pelas propriedades físico-químicas do etanol, como a higroscopia (capacidade de absorver água) e o potencial corrosivo sobre ligas metálicas não tratadas. As entidades industriais defendem um cronograma de transição mais conservador e sustentado por relatórios de durabilidade de peças mecânicas de alta quilometragem para evitar prejuízos financeiros diretos aos proprietários de automóveis no Brasil.