O tempo passa rápido.
Rápido demais.
Parece que foi ontem que éramos jovens, cheios de planos, força e sonhos.
Naquele tempo, a gente olhava para a frente e tinha a impressão de que havia todo o tempo do mundo.
Hoje, quando olhamos para trás, percebemos o quanto a vida passou.
Outro dia, lá no Rio Araguaia, em uma praia rasa, vivi uma dessas pequenas situações que nos fazem pensar.
Tentei subir na borda da minha lancha.
Não foi fácil.
Foi um sufoco.
Naquele momento, percebi uma coisa que talvez o espelho não consiga nos mostrar.
A gente se olha todos os dias e, de certa maneira, continua enxergando a pessoa que sempre foi. O rosto muda, aparecem algumas rugas, os cabelos ficam brancos, mas parece que, por dentro, continuamos os mesmos.
Até que o corpo é chamado para um esforço maior.
Aí não tem jeito.
A ilusão de que ainda estamos inteiros vai embora.
Foi preciso aquele pequeno esforço para eu perceber que o tempo não havia passado apenas pelo calendário.
Ele também havia passado por mim.
E então lembramos de uma verdade que ninguém consegue evitar:
o tempo não negocia com ninguém.
Não importa quanto dinheiro tenhamos, quantas conquistas acumulamos ou quantas vezes tentamos ignorar a idade.
Um dia, o corpo nos lembra que os anos chegaram.
Talvez seja justamente por isso que precisamos aprender a viver, aproveitar a vida, enquanto ainda temos tempo.
Mas aí surge outra pergunta:
O que significa, afinal, aproveitar a vida?
Para mim, não significa fazer tudo o que for possível, correr atrás de todas as experiências ou tentar viver como se ainda tivéssemos vinte anos.
Aproveitar a vida talvez seja simplesmente estar em harmonia com aquilo que somos e com o momento que estamos vivendo.
É amar mais.
Abraçar mais.
Perdoar mais.
Viajar quando for possível.
Rir de coisas simples.
Estar perto de quem amamos.
Fazer aquilo que sempre deixamos para depois.
E, principalmente, dizer “eu te amo” enquanto ainda podemos dizer.
Não precisamos brigar com a idade.
Nem tentar parecer jovens a qualquer preço.
Cada fase da vida tem sua beleza.
A juventude teve sua beleza.
A maturidade teve a sua.
E a velhice, apesar das limitações que traz, também pode nos oferecer algo que só o tempo consegue ensinar: a capacidade de reconhecer o verdadeiro valor das coisas.
Hoje, quando olho fotografias antigas, às vezes tenho a sensação de que tudo aconteceu ontem.
Aquele homem jovem ainda está ali.
Só que agora ele aparece dentro de uma fotografia.
E eu estou aqui, olhando para ele.
Talvez seja essa a grande lição do tempo: ele leva muita coisa, mas também deixa.
Deixa histórias. Deixa pessoas. Deixa aprendizados. Deixa marcas.
Cada ruga conta uma história.
Cada fio branco lembra uma caminhada.
Cada ano vivido é um pedaço daquilo que somos.
Por isso, não quero brigar com o tempo.
Quero agradecer por ele ter passado.
Agradecer pelos dias bons, pelos dias difíceis, pelos erros, pelos acertos e, principalmente, pelas pessoas que fizeram parte da caminhada.
E, se Deus permitir que eu continue caminhando, quero chegar a cada novo dia com gratidão pelo que ainda tenho para viver.
E quando chegar o momento de olhar definitivamente para trás, espero poder dizer, sem precisar de grandes palavras:
Eu vivi.
Eu amei.
Eu errei.
Eu aprendi.
Eu fiz o meu melhor.
E talvez, no fim das contas, isso seja uma das maiores vitórias que alguém pode alcançar.





