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OS INFLUENCIADORES DO MEU TEMPO – Por: Wilton Emiliano Pinto

Missias
3 de setembro de 2026 às 15:26
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OS INFLUENCIADORES DO MEU TEMPO –  Por: Wilton Emiliano Pinto

Foto> IA

Outro dia, observei uma cena que já se tornou comum.
Várias pessoas estavam reunidas, próximas umas das outras, mas cada uma parecia viver em um mundo diferente.

Os olhos estavam presos às telas dos celulares.
Vídeos. Notícias. Mensagens. Opiniões.
Tudo chegava e desaparecia em poucos segundos.

Foi então que uma pergunta me veio à cabeça:
Quem são, verdadeiramente, os influenciadores de nossas vidas?

Hoje, essa palavra parece pertencer às redes sociais.
Influenciador é quem possui milhares ou milhões de seguidores e consegue fazer com que muitos pensem, comprem, imitem ou sigam aquilo que apresenta.
Mas será que influência se mede por números?

Quando eu era menino, lá na Fazenda da Mata, em Estulânia, não existiam internet, celular ou redes sociais.
As influências chegavam pela palavra dos pais, pelos ensinamentos dos professores, pelos conselhos dos mais velhos e, principalmente, pelos exemplos.

O mundo era menor.
Mas as pessoas pareciam ocupar um espaço muito maior dentro de nós.

Lembro-me de meu pai.
Ainda escuro, antes do amanhecer, ele já estava de pé, caminhando para o curral.
Não fazia discursos.
Mas eu observava seus gestos.
Hoje compreendo que ele estava me ensinando pela honestidade, pela responsabilidade, pelo trabalho e pela maneira de enfrentar as dificuldades sem reclamar da vida.
Talvez nunca tenha percebido, mas foi um dos grandes influenciadores da minha existência.

Também me lembro do professor Arquimedes, da escola de Estulânia.
Isso já faz mais de setenta anos.
Uma sala simples, poucos alunos e recursos modestos.
Mas havia ali uma riqueza que nenhuma tecnologia poderia substituir:
a vontade de ensinar.
Ele não possuía seguidores nem precisava de curtidas.
Mesmo assim, suas palavras atravessaram décadas e continuam vivas na memória daqueles que tiveram o privilégio de ouvi-lo.

Mais tarde, vieram os anos do Colégio Pedro Gomes.
Ali encontrei professores, colegas e outras pessoas que deixaram suas marcas.
Às vezes, bastava uma conversa, uma palavra, um conselho ou um exemplo.
Uma semente era lançada.
E algumas sementes precisam de muito tempo para despertar.

Talvez ninguém passe pela nossa vida por acaso.
Algumas pessoas chegam para ensinar; outras, para aprender conosco.
Algumas permanecem por muitos anos; outras, apenas por algum tempo.
Mas quase sempre deixam alguma coisa.
Uma lembrança.
Um ensinamento.
Uma nova maneira de enxergar a vida.

Se somos espíritos em aprendizado, talvez nossas relações também façam parte desse aprendizado.
Tudo aquilo que conquistamos interiormente, a inteligência, a bondade, a paciência, o perdão e a coragem, vai formando aquilo que somos.

Por isso, talvez a verdadeira influência não seja aquela que alcança apenas os olhos.
É aquela que alcança a alma.
Hoje vivemos cercados por influências de todos os lados: curtidas, seguidores, visualizações, opiniões e modismos.

E talvez o maior desafio seja escolher aquilo que merece entrar em nosso coração.
Porque nem tudo aquilo que chama nossa atenção merece nossa admiração.
Uma árvore cresce em silêncio.
Não anuncia suas folhas, não faz propaganda dos frutos e não pede aplausos pela sombra que oferece.
Mesmo assim, alguém sempre encontra nela abrigo.

Assim são muitas das pessoas que realmente nos influenciam.
Vivem discretamente.
Fazem o bem.
Trabalham.
Ajudam.

Um pai pode influenciar um filho.
Um professor pode transformar um aluno.
Um amigo pode mudar uma decisão.
Uma palavra pode evitar um erro.
Um gesto de bondade pode despertar outro.
Uma pequena atitude pode continuar viajando de pessoa para pessoa, como uma luz que passa adiante sem perder sua claridade.

Quando olho para trás, percebo que os maiores influenciadores do meu tempo não foram os mais conhecidos.
Foram aqueles que me ensinaram a trabalhar, estudar, respeitar, enfrentar dificuldades, conservar a esperança e compreender que a vida é muito maior do que aquilo que os nossos olhos conseguem enxergar.

Talvez essa seja a diferença entre fama e influência.
A fama pode desaparecer quando as telas se apagam.
A influência verdadeira permanece dentro de nós, trabalhando silenciosamente em nossa maneira de pensar, agir e viver.

E talvez essa seja a melhor herança que uma pessoa possa deixar.
Não um número de seguidores.
Não uma coleção de aplausos.
Mas um exemplo.
Uma palavra.
Uma atitude.
Um ensinamento.

Porque, se somos espíritos imortais em uma longa caminhada de aprendizado, também somos, sem perceber, influenciadores uns dos outros.
Recebemos.
Aprendemos.
Transformamo-nos.
E transmitimos.

Assim, aquilo que alguém um dia plantou em nós pode continuar florescendo em outras pessoas.
Talvez seja essa a verdadeira maneira de permanecer:
não pelo tempo que o nosso nome aparece, mas pelo bem que continua acontecendo depois de nós.

E quando as telas se apagarem, os números perderem o significado e os modismos forem esquecidos, talvez permaneçam justamente aquelas antigas influências silenciosas.

Como estrelas que continuam iluminando o caminho de quem ainda precisa seguir.
Porque os verdadeiros influenciadores não são os que aparecem mais.
São aqueles que deixam dentro de nós alguma coisa boa o bastante para continuar vivendo.

Cronista do vivido, Wilton transforma o simples em permanência.