O Brasil chega à reta final das eleições de 2026 com a política ambiental no centro de uma decisão que ultrapassa as fronteiras nacionais
A possibilidade de um super El Niño, apontada como hipótese de um dos episódios mais intensos em mais de cem anos, ocorre em um cenário de aquecimento global e aumenta a pressão sobre governos, setores produtivos e comunidades vulneráveis. O próximo ciclo político deverá definir a velocidade da descarbonização, a proteção das florestas e os critérios para novas fronteiras de exploração de petróleo.
Ciência indica agravamento de extremos climáticos
O El Niño é uma fase natural de aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial e, por isso, não se confunde com a mudança climática. Entretanto, pesquisas publicadas pela revista Science indicam que o aquecimento provocado pela queima de combustíveis fósseis pode intensificar os impactos de eventos climáticos extremos. A elevação da temperatura média do planeta altera padrões de chuva, amplia riscos de secas prolongadas e favorece episódios de precipitação mais severos em diferentes regiões.
No Brasil, os efeitos não seriam homogêneos, mas a experiência recente de cheias na Amazônia e de enchentes no Rio Grande do Sul evidencia a vulnerabilidade do país. A preparação exige investimento em monitoramento meteorológico, sistemas de alerta, defesa civil, segurança hídrica, planejamento agrícola e assistência às populações expostas. A capacidade de adaptação tornou-se componente central da política pública, pois reduz perdas humanas, econômicas e ambientais quando eventos extremos se intensificam.
Desmatamento amplia riscos ambientais e econômicos
Além da resposta a desastres, a agenda ambiental inclui a contenção do desmatamento. A perda de cobertura vegetal compromete a regulação do clima regional, reduz a capacidade das florestas de armazenar carbono e pode alterar ciclos de chuva essenciais para a agropecuária, o abastecimento urbano e a geração de energia. Manter a redução do desmatamento requer fiscalização contínua, rastreamento de cadeias produtivas, recuperação de áreas degradadas e coordenação entre órgãos federais e estaduais.
A decisão sobre a exploração de petróleo na margem equatorial representa outro ponto sensível. O tema envolve avaliação de reservas, geração de receita, transição energética, licenciamento ambiental e prevenção de acidentes. Qualquer autorização deve considerar a capacidade de resposta a vazamentos, a proteção de ecossistemas costeiros e marinhos, o cumprimento de metas climáticas e os impactos sobre comunidades locais. O debate, portanto, não se limita à expansão da produção, mas ao modelo de desenvolvimento adotado pelo país.
Escolha eleitoral com repercussão global
O resultado das eleições poderá alterar a continuidade de políticas públicas, a prioridade dada ao combate ao desmatamento e a posição brasileira nas negociações internacionais sobre o clima. Como país com grande extensão territorial, biodiversidade e relevância na economia global, o Brasil influencia fluxos comerciais, investimentos e compromissos ambientais. A escolha dos próximos governantes define não apenas uma agenda setorial, mas a direção estratégica para conciliar proteção ambiental, segurança climática e desenvolvimento econômico.




