DayNews
Notícias

Demanda por aço no Brasil encolhe 14,1% em maio e exportações despencam 35% em novo sinal de crise setorial

Redacao
19 de junho de 2026 às 15:17
Compartilhar:
Demanda por aço no Brasil encolhe 14,1% em maio e exportações despencam 35% em novo sinal de crise setorial

Reprodução

O setor siderúrgico brasileiro enfrenta um momento de forte contração em 2026, com o consumo aparente de produtos de aço recuando 14,1% em maio na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Instituto Aço Brasil. O indicador, que mede a demanda real no mercado interno — calculado pela soma da produção nacional e importações, menos as exportações — aponta para uma fragilidade estrutural na demanda, mesmo com um ligeiro crescimento na produção.

Consumo acumulado no ano já acumula queda de 4,1% em 2026

A retração não se limitou ao comparativo mensal: entre janeiro e maio de 2026, o consumo aparente de aço caiu 4,1% ante igual período de 2025, sinalizando que o enfraquecimento não é pontual, mas sim um movimento de enfraquecimento prolongado ao longo do ano.

Produção nacional de aço recua 1,9% no acumulado, apesar de alta pontual em maio

A produção nacional de aço bruto registrou uma alta de 2,4% em maio de 2026, totalizando 2,8 milhões de toneladas. No entanto, o acumulado do ano até maio soma 13,4 milhões de toneladas, queda de 1,9% frente ao mesmo período do ano passado. A disparidade entre o desempenho mensal e o acumulado reforça a instabilidade do setor, que ainda tenta se recuperar de um cenário de baixa demanda.

Exportações de aço atingem pior nível do ano: queda de 35% em volume

As exportações de aço sofreram o maior recuo do ano, com queda de 35% em volume em maio, totalizando 645 mil toneladas. Em valor, a retração foi de 34,3%, somando US$ 449 milhões. A queda acentuada nas vendas externas contrasta com a leve alta na produção, indicando que o mercado interno não consegue absorver o excedente, enquanto a demanda externa também se mostra retraída.

A combinação de queda no consumo interno, redução na produção acumulada e enfraquecimento das exportações desenha um cenário de pressão sobre os estoques e margens das siderúrgicas brasileiras, que já enfrentam desafios como a implementação de novas tarifas sobre importações, conforme destacado em recente análise do setor.