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Saúde

Como evitar o efeito sanfona após emagrecer: estratégias baseadas em evidências

João Oliveira
15 de setembro de 2026 às 08:56
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Como evitar o efeito sanfona após emagrecer: estratégias baseadas em evidências

Imagem Ilustrativa, criada por IA/Chat GPT

Estudo de 2026 aponta fatores como genética, sono e histórico familiar no reganho de peso; nutricionista destaca que manutenção exige abordagem diferente da fase de perda

Desafio da manutenção do peso

Perder peso exige mudanças na alimentação, na rotina e, muitas vezes, na prática de atividade física. Mas chegar ao objetivo não significa que o processo terminou. Para algumas pessoas, manter o peso perdido pode ser tão desafiador quanto emagrecer.

Um estudo publicado em agosto de 2026 no European Journal of Clinical Nutrition acompanhou 294 adultos com sobrepeso ou obesidade atendidos em um programa de controle de peso na China.

Os pesquisadores observaram que 52% recuperaram pelo menos 25% dos quilos perdidos ao longo de cerca de três anos.

Os participantes haviam seguido uma dieta com restrição de carboidratos. A análise considerou dados clínicos e informações sobre hábitos de vida para identificar fatores relacionados ao reganho de peso.

O histórico familiar de obesidade aumentou esse risco. Por outro lado, dormir entre seis e oito horas por noite apareceu como um possível fator de proteção.

Os resultados reforçam que o chamado efeito sanfona não depende apenas de disciplina ou força de vontade. O organismo também passa por mudanças depois da perda de peso.

Mecanismos fisiológicos envolvidos

Para a nutricionista e especialista em saúde metabólica Bruna Makluf, diretora de Nutrição da WeFit, atribuir o reganho de peso apenas ao comportamento deixa de considerar as respostas fisiológicas que acontecem durante o processo.

“O efeito sanfona envolve mecanismos que não dependem somente de força de vontade. Depois da perda de peso, podem ocorrer aumento da fome, mudanças na saciedade e redução do gasto energético. Por isso, chegar ao objetivo e permanecer nele exigem estratégias diferentes”, afirma a nutricionista.

Isso significa que uma pessoa pode seguir corretamente uma estratégia de emagrecimento e, ainda assim, enfrentar dificuldades para manter o resultado.

O corpo passa a funcionar em um novo cenário após a redução de peso. Por isso, a estratégia que ajudou a eliminar os quilos não necessariamente será suficiente para a fase de manutenção.

Adaptações do organismo

Parte da dificuldade está nas adaptações fisiológicas provocadas pelo emagrecimento.

Uma meta-análise publicada no International Journal of Obesity, que reuniu 127 estudos, identificou aumento da grelina total, hormônio relacionado à fome, após a perda de peso.

Parte dos trabalhos também encontrou redução de sinais associados à saciedade, como PYY e GLP-1 ativo.

Na prática, essas alterações podem contribuir para o aumento da fome e dificultar a manutenção do peso.

Por isso, sentir mais apetite depois de emagrecer não significa necessariamente falta de controle. É preciso considerar também as respostas do próprio organismo.

Limitações de repetir a mesma dieta

Durante a fase de emagrecimento, a alimentação costuma ser organizada com um objetivo específico: promover a perda de peso.

Depois que a pessoa chega ao resultado desejado, porém, outras questões ganham importância.

Composição corporal, massa muscular, atividade física, qualidade do sono, alimentação e comportamento passam a ter um papel importante na manutenção.

Isso explica por que simplesmente continuar fazendo a mesma dieta por tempo indeterminado pode não ser a melhor estratégia.

A fase de manutenção precisa considerar as novas necessidades do organismo e a rotina que a pessoa consegue sustentar no longo prazo.

Influência genética

A genética é outro fator que ajuda a explicar por que algumas pessoas apresentam mais dificuldade para manter o peso.

Um estudo publicado em 2026 na revista Obesity analisou dados de mulheres após a menopausa e encontrou associação entre maior predisposição genética à obesidade e recuperação mais rápida dos quilos eliminados em parte das participantes.

Isso não significa, porém, que a genética determine quem vai recuperar o peso.

“Genética não determina o resultado, mas pode revelar características que merecem atenção. Quando essa informação é analisada junto com sono, fome, metabolismo e hábitos, conseguimos compreender melhor porque duas pessoas podem responder de maneiras diferentes ao mesmo método”, explica a especialista em saúde metabólica.

Planejamento da manutenção

Para Bruna, a manutenção não deve ser tratada como uma etapa secundária do emagrecimento.

Mudanças no sono, aumento da fome, redução de massa muscular, alterações na rotina e dificuldade para conservar hábitos podem indicar que a estratégia precisa ser revista antes que o reganho de peso se consolide.

Por isso, o planejamento da manutenção deve começar ainda durante o processo de emagrecimento.

A ideia é identificar quais hábitos são realmente possíveis de manter e quais ajustes serão necessários quando o peso estabilizar.

Estratégias para reduzir o risco

Não existe uma única estratégia capaz de impedir o reganho de peso. O acompanhamento deve considerar as características e necessidades de cada pessoa.

Entre os pontos que merecem atenção estão:

  • Manter uma alimentação equilibrada e possível de sustentar;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Preservar a massa muscular;
  • Priorizar um sono adequado.
  • Acompanhar mudanças no apetite;
  • Observar alterações na rotina;
  • Fazer acompanhamento profissional quando necessário.

Na WeFit, o acompanhamento nutricional combina informações sobre genética, microbiota intestinal, exames e hábitos de vida para orientar protocolos individualizados. A healthtech também utiliza recursos digitais para acompanhar a evolução dos pacientes e permitir ajustes ao longo da jornada.

“Para reduzir o risco de efeito sanfona, a manutenção precisa ser pensada desde o início. Não basta descobrir como aquela pessoa perde peso. É preciso entender o que ela consegue sustentar na própria rotina e quais fatores podem interferir nesse processo ao longo do tempo”, ressalta Bruna, ao defender que o período posterior à redução na balança faça parte do planejamento nutricional.

Além do número na balança

O peso na balança é apenas uma parte do processo. Depois da perda de peso, o objetivo passa a ser construir uma rotina que permita preservar os resultados sem depender de estratégias difíceis de manter.

Por isso, o chamado efeito sanfona não deve ser interpretado automaticamente como falta de disciplina.

Entender as mudanças que acontecem no organismo, observar os hábitos e ajustar a estratégia ao longo do tempo pode ajudar a tornar a manutenção mais sustentável.

(Fonte: SportLife)

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