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BC reduz Selic a 14,25% com tom cauteloso e mantém incerteza sobre próximos passos

Redacao
18 de junho de 2026 às 06:20
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BC reduz Selic a 14,25% com tom cauteloso e mantém incerteza sobre próximos passos
Divulgação / DayNews

Selic recua a 14,25% ao ano, mas incerteza persiste sobre trajetória futura

O Banco Central (BC), por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na última quarta-feira (17 de junho de 2026), encerrando o ciclo de manutenção em 14,50%. A decisão, já precificada pelo mercado, sinalizou um ritmo gradual de afrouxamento monetário, mas com um viés de cautela que contrastou com expectativas anteriores de cortes mais acelerados. O comunicado oficial destacou a necessidade de “acompanhar a evolução da conjuntura”, reintroduzindo a política fiscal como fator determinante para as próximas deliberações.

Fiscal volta ao centro do debate: riscos inflacionários e dependência de dados

Analistas interpretaram a redação do comunicado como um alerta sobre a crescente interferência da trajetória das contas públicas no cenário macroeconômico. Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, afirmou que o BC “não deixou sinalização clara” sobre os próximos passos, condicionando as decisões futuras à evolução de indicadores como inflação, atividade econômica e, sobretudo, o resultado fiscal do governo. Segundo ela, o intervalo até a próxima reunião — prevista para 4 e 5 de agosto — amplia a volatilidade nas projeções, especialmente diante de fatores externos imprevisíveis.

Carlos Lopes, economista do Banco BV, avaliou que a redução de 0,25 ponto foi “tecnicamente justificada”, mas ressaltou que a ausência de direcionalidade na comunicação do Copom reflete uma estratégia de “wait and see” (esperar para ver). “O BC está atento ao risco de desancoragem das expectativas inflacionárias, mas também ciente de que o espaço para cortes adicionais depende da sustentabilidade fiscal”, declarou. A menção à política fiscal, ausente em comunicados recentes, sugere um realinhamento do BC com o discurso do governo sobre a necessidade de ajustes nas contas públicas para viabilizar um ciclo de afrouxamento monetário mais agressivo.

Conflitos geopolíticos e incertezas globais: variáveis que podem redefinir o cenário

A economista Quartaroli também destacou que tensões geopolíticas — como o recente agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã — podem pressionar os preços de commodities e, consequentemente, a inflação doméstica. “Se houver um choque de oferta significativo, o BC terá de reconsiderar o ritmo de cortes, mesmo que a atividade econômica desacelere”, afirmou. A volatilidade nos mercados internacionais, somada à indefinição sobre a trajetória da dívida pública brasileira, adiciona uma camada de complexidade ao processo decisório do Copom.

Para especialistas, a próxima reunião do Copom será crítica. Além da trajetória da Selic, o mercado aguardará sinais sobre o ritmo de corte nas próximas decisões, bem como avaliações mais detalhadas sobre o impacto da política fiscal no controle inflacionário. Enquanto isso, a incerteza permanece como o principal ativo no radar dos investidores.