Cena demonstra o avanço da automação industrial, com robô humanoide atuando na linha de produção de veículos elétricos. Foto: Reprodução
Fim do conflito no Golfo: o gatilho para a recuperação do setor tech
A assinatura ontem, quarta-feira (17/06), de um acordo entre os governos dos Estados Unidos e do Irã para o cessar-fogo definitivo no conflito iniciado em fevereiro de 2026 determinou uma guinada nos mercados asiáticos. O fim das hostilidades eliminou um dos principais riscos de desabastecimento de semicondutores — insumo crítico para a cadeia de tecnologia global — e restaurou a confiança dos investidores em ativos de alta volatilidade. Em apenas 48 horas, o valor de mercado combinado das cinco maiores empresas de tecnologia do Japão e Coreia do Sul cresceu US$ 45 bilhões, segundo dados da Bloomberg.
SoftBank e semicondutoras: os maiores beneficiados do otimismo regional
A japonesa SoftBank, cuja carteira inclui participações em gigantes como Nvidia e ARM, registrou alta de 10% na Bolsa de Tóquio no dia 15 de junho, atingindo a maior capitalização de sua história (US$ 112 bilhões). A valorização refletiu não apenas a redução do risco geopolítico, mas também o otimismo com os planos da empresa de expandir suas operações no Sudeste Asiático, região que concentra 30% da produção global de chips. Paralelamente, fabricantes de equipamentos para semicondutores como a Tokyo Electron (alta de 7%) e a sul-coreana SK Hynix (6,2%) ampliaram seus contratos com clientes chineses e europeus, que haviam reduzido estoques durante o conflito.
Consequências globais: da cadeia de suprimentos ao câmbio asiático
A estabilização do Estreito de Ormuz — principal rota de exportação de petróleo do Irã — reduziu os prêmios de risco nos mercados de commodities, beneficiando indiretamente as fabricantes de hardware. Além disso, o yuan chinês e o iene japonês registraram apreciação de 2,1% e 1,8%, respectivamente, frente ao dólar, impulsionando as importações de componentes eletrônicos. Especialistas do Bank of Japan alertam, contudo, para a possibilidade de uma ‘supervalorização’ dos ativos tecnológicos caso a paz não se concretize em acordos comerciais formais até setembro de 2026.

