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A DÍVIDA PÚBLICA AMERICANA – Por: Vivaldo Lopes

Missias
24 de agosto de 2026 às 09:37
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A DÍVIDA PÚBLICA AMERICANA –  Por: Vivaldo Lopes

Reprodução

Relatório do Tesouro dos Estados Unidos publicado na semana passada informa que a dívida pública americana alcançou a astronômica marca de US$ 40 trilhões. A dívida pública da maior economia do planeta atingiu o impensável patamar de 125% do seu PIB que é de US$ 32 trilhões.

A explosiva expansão da dívida federal americana reacendeu as discussões a respeito dos temores do modelo de financiamento do déficit público americano. Os primeiros sinais já se materializam no aumento das taxas de juros exigidas pelos credores internos e globais para a compra de títulos do Tesouro americano. Em leilões recentes, os “Treasuries”, os títulos da dívida pública americana, foram negociados a 5,4% ao ano o nível mais elevados desde 2001.

Os motivos da inquietação dos investidores estão centrados na gastança exorbitante e persistente da administração americana que convive com um déficit federal de 6% do PIB, o dobro da meta anunciada pela atual gestão na campanha presidencial e no primeiro ano de governo.

As inquietações dos agentes econômicos do mercado global de capitais são amplificadas pelo ambiente de incertezas globais causadas pelas guerras e atitudes disruptivas do comércio mundial, ambas protagonizadas pelo presidente americano Donald Trump.

Outro fator preponderante para o aumento dos prêmios para rolagem dos títulos do tesouro americano é a intensa disputa da administração americana pela poupança privada com as grandes empresas, especialmente as chamadas Big Techs.

Com a explosão da inteligência artificial, as gigantes da área de tecnologia como Alphabet (Google), Microsoft, Oracle, Nvidia, Amazon, Meta, SpaceX, precisaram de volume extraordinário de capitais para financiar a expansão da computação que envolve software, datacenters, redes, equipamentos e energia abundante. Passaram a emitir trilhões de dólares em papéis no mercado de dívida privada para financiar a construção da infraestrutura necessária para continuarem competitivas no gigantesco mercado que surgiu com o avanço da IA. Essas gigantes da tecnologia estão emitindo títulos de dívida privada (bonds de10 e 30 anos) com rendimentos que variam de 7,5% a 8,5% anuais, bem acima dos prêmios ofertados pelos títulos da dívida federal americana, atraindo os grandes players do mercado de capitais dos EUA e do mundo.

Ao mesmo tempo, alguns países, como China e Japão, maiores detentores dos treasuries americanos, fizeram movimentações de substituição desses títulos por ouro e outros papéis para composição de suas reservas cambiais estratégicas.

A onda de aumento de volume, enfraquecimento do dólar e elevação do custo de rolagem da dívida americana produz efeitos em todas as economias do mundo, com maior intensidade nas economias emergentes, como a brasileira.

O movimento de perda de valor do dólar, que é a moeda de reserva de valor mundial e aumento das taxas de juros ofertadas pelo tesouro americano atraem os grandes investidores globais que retiram recursos das economias emergentes para o mercado americano que oferece bom retorno e mais segurança. Esse movimento de fuga de capitais reduz consideravelmente a quantidade de recurso estrangeiro nos países emergentes que não possuem poupança interna suficiente para financiar o seu desenvolvimento e precisam do financiamento externo.

As evidências são de que o mundo passa a conviver com um aumento das taxas de juros longos, independente das políticas fiscais e monetárias dos países desenvolvidos e emergentes. O novo mundo que está em construção, liderado pela tecnologia de ponta, é muito mais caro e precisa se financiar no mercado global de capitais. Ao mesmo tempo, os governos nacionais precisam rolar suas gigantescas dívidas no mesmo mercado de dívidas. Essa intensa disputa pela poupança privada está sendo decisiva na definição de juros futuros que subiram de patamar após um longo período de juros baixos após a crise financeira mundial de 2008.

* Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP (vivaldo@uol.com.br)