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Ubatuba: dona de pousada é presa, suspeita de envolvimento em homicídio de cozinheira

João Oliveira
11 de julho de 2026 às 09:51
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Ubatuba: dona de pousada é presa, suspeita de envolvimento em homicídio de cozinheira
Divulgação / ClickNews
Foto: Reprodução

Polícia Civil de São Paulo aponta patroa como principal investigada pelo sumiço de funcionária após encerramento de contrato de trabalho

Desaparecimento em Ubatumirim e investigação por homicídio qualificado

 

O desaparecimento de uma profissional da área de gastronomia no litoral norte paulista passou a ser tratado formalmente pelas autoridades policiais como um caso de assassinato. A Polícia Civil do Estado de São Paulo encerrou as primeiras fases de apuração e concluiu que a cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos de idade, foi executada. O rastro da trabalhadora foi interrompido no dia 30 de junho, data em que ela se desligou formalmente da pousada onde exercia suas funções, situada na localidade de Ubatumirim, no município de Ubatuba.

A linha de investigação central desenvolvida pelos agentes policiais aponta a proprietária do estabelecimento hoteleiro como a principal artífice do crime. A empresária, cujo nome é mantido sob sigilo investigativo, foi a responsável por fornecer transporte de carona para a funcionária no exato dia em que cessaram as comunicações. Diante dos indícios coletados pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião, o Poder Judiciário decretou a prisão temporária da comerciante. As equipes de resgate e os peritos criminais mantêm buscas ativas em áreas de mata e costa, uma vez que, até o presente momento, os restos mortais de Berenice não foram localizados.

Divergências sobre rescisão trabalhista e contradições no último trajeto da vítima

O pano de fundo do crime envolve o encerramento das atividades da funcionária devido à oscilação do fluxo turístico na região. Na noite anterior ao sumiço, a cozinheira comunicou a um de seus descendentes que seu contrato havia sido rescindido em função da retração econômica típica da baixa temporada de inverno. De acordo com o histórico das conversas familiares, Berenice permanecia nas dependências da pousada apenas aguardando a quitação das verbas de demissão em dinheiro para, em seguida, embarcar de volta para o município de Igaratá, localizado na região do Vale do Paraíba, onde mantinha residência fixa.

As comunicações telemáticas da vítima com sua filha ocorreram de forma normal na manhã de 30 de junho por meio de aplicativos de mensagens instantâneas. No decorrer do dia, a cozinheira aceitou o transporte oferecido pela patroa. Em seus primeiros depoimentos à polícia, a empresária alegou ter desembarcado a colaboradora nas imediações do trevo que conecta a malha viária à Rodovia Oswaldo Cruz, posicionando-se como a última pessoa do círculo social da vítima a interagir com ela.

O padrão de contato foi quebrado abruptamente no período vespertino, gerando alerta entre os parentes. De acordo com o depoimento de José Carlos de Faria Filho, um dos três filhos da cozinheira, a mãe parou de visualizar e responder aos chamados. O rastreamento tecnológico efetuado nas torres de telefonia móvel indicou que a última emissão de sinal do aparelho celular de Berenice ocorreu por volta das 11h do dia 1º de julho, apontando para uma coordenada genérica dentro do perímetro urbano de Ubatuba, sem especificar o quadrante geográfico.

Disputa financeira e contestação das versões da defesa pela família

Ao se deslocarem até a pousada em busca de esclarecimentos, os familiares da cozinheira foram informados por testemunhas de que uma forte altercação verbal teria ocorrido entre a funcionária e a patroa. Confrontada, a dona do hotel sustentou que realizou o pagamento manual de R$ 2,6 mil em espécie à idosa como quitação dos direitos trabalhistas antes de transportá-la até o entroncamento rodoviário.

A empresária alegou ainda que Berenice teria optado por permanecer no litoral para assumir uma nova vaga de emprego nas imediações da Praia das Toninhas. Essa narrativa foi prontamente rebatida pelos filhos da vítima, que classificaram a versão como inverossímil, argumentando que a mãe estava convicta em retornar ao lar em Igaratá e jamais alteraria seu plano de viagem sem emitir um aviso prévio aos familiares.

No preenchimento do boletim de ocorrência na delegacia, José Carlos de Faria Filho fez questão de fazer constar que a mãe possuía hábitos regulares, não apresentava quadros de dependência de substâncias químicas nem sofria de distúrbios cognitivos que pudessem validar a tese de um sumiço deliberado ou desorientação espacial. Berenice deixa três filhos adultos, sendo dois homens e uma mulher.