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Trump abandona taxa de 20% no estreito de Ormuz e propõe acordos bilionários com países do Golfo

Missias
14 de julho de 2026 às 13:48
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Trump abandona taxa de 20% no estreito de Ormuz e propõe acordos bilionários com países do Golfo

© Divulgação White House

Presidente dos Estados Unidos substitui cobrança sobre cargas marítimas por compromissos de comércio e investimento, mas mantém bloqueio direcionado a embarcações ligadas ao Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou da proposta de cobrar uma tarifa de 20% sobre as cargas transportadas pelo estreito de Ormuz. A mudança foi anunciada apenas 24 horas depois de o republicano defender a taxa como forma de compensar os custos norte-americanos com a segurança da estratégica rota marítima.

Na segunda-feira, Trump havia declarado que Washington passaria a exigir uma contribuição proporcional ao valor das mercadorias transportadas pela região.

“Os Estados Unidos serão agora conhecidos como os ‘Guardiões do estreito de Ormuz’, mas, em nome da justiça, receberão uma taxa equivalente a 20% do valor da carga”, escreveu, na segunda-feira, Donald Trump na sua plataforma Truth Social, tendo anunciado na mesma ocasião a intenção de restabelecer o bloqueio aos portos iranianos.

Cobrança é substituída por investimentos

Em nova publicação na Truth Social, nesta terça-feira, Trump informou que decidiu trocar a cobrança direta sobre as embarcações por compromissos econômicos a serem firmados entre os Estados Unidos e países do Golfo.

O presidente afirmou ter “decidido” substituir essa “remuneração correspondente a 20% do valor das cargas” dos navios por “acordos de comércio e investimento que os diferentes Estados do Golfo celebrarão com os Estados Unidos”.

Segundo Trump, a decisão foi tomada após “conversações muito produtivas com líderes do Médio Oriente”. Ele classificou os investimentos esperados como “enormes” e “extraordinariamente benéficos” tanto para a economia norte-americana quanto para os países da região, embora não tenha especificado quais governos participarão dos acordos.

“Temos nos Estados Unidos o maior investimento em dólares da história, mas estes novos investimentos farão com que esse valor seja ainda maior e veremos fábricas, unidades industriais e equipamentos a chegarem aos Estados Unidos a níveis históricos, o que criará milhões de empregos norte-americanos bem remunerados”, prometeu.

Presidente volta a elevar o tom contra Teerã

Ao comentar o cenário econômico e militar, Trump declarou que os Estados Unidos “estão novamente a ganhar como nunca antes”. Na mesma mensagem, voltou a acusar o governo iraniano de violência contra a própria população.

O republicano afirmou que “acabaram os dias em que o Irão assassinava centenas de milhares de pessoas, incluindo 52.000 manifestantes”. O número mencionado pelo presidente não possui confirmação independente e supera amplamente outras estimativas conhecidas sobre as mortes relacionadas aos protestos registrados no Irã entre o fim de dezembro de 2025 e janeiro deste ano.

“O Irão nunca terá uma arma nuclear”, reiterou Trump.

O presidente também exaltou o “impressionante poder militar” demonstrado pelos Estados Unidos nos últimos meses durante o conflito com Teerã. Na publicação, elogiou o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e os principais comandantes militares do país.

“Graças a eles, e a todos os membros das Forças Armadas mais poderosas do mundo, o estreito de Ormuz está aberto a todo o tráfego marítimo, exceto ao Irão”, acrescentou Trump, ao classificar as autoridades iranianas como “mentirosas, violentas e perversas”.

Bloqueio será restrito a embarcações vinculadas ao Irã

Apesar de desistir da tarifa sobre todas as cargas que cruzassem o estreito, Trump manteve a intenção de impor restrições ao comércio marítimo iraniano.

“Vamos impor um bloqueio total, mas apenas aos navios que cheguem ou partam de portos iranianos, ou que transportem qualquer carga relacionada com o Irão”, declarou ainda o Presidente norte-americano.

A medida integra a nova ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã. Nos últimos dias, forças norte-americanas realizaram outra série de ataques com o objetivo declarado de impedir ações de Teerã contra embarcações que transitam pelo estreito de Ormuz.

O governo iraniano respondeu com ataques contra aliados regionais de Washington. A escalada aumenta as dúvidas sobre a continuidade do cessar-fogo firmado em 8 de abril e ameaça o memorando de entendimento assinado em junho.