O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa o momento mais conturbado de toda a sua trajetória institucional de 135 anos. A avaliação impactante partiu do jurista e professor da FGV Direito SP, Oscar Vilhena, ao analisar o cenário de instabilidade que assombra a mais alta Corte do país.
Fogo cruzado e tensão sem precedentes
Segundo o especialista, o tribunal não apenas enfrenta duros embates com os demais Poderes da República, como também padece de uma inédita e profunda divisão interna. Essa combinação de pressões políticas externas com atritos declarados entre os próprios magistrados cria uma tempestade perfeita jamais vista no Judiciário brasileiro.
Em análise concedida ao programa WW Especial, Vilhena ponderou que a autoridade do STF já foi colocada em xeque em diversos momentos do passado por forças que ignoravam a Carta Magna. No entanto, o elemento novo e alarmante do cenário atual é a deterioração das relações e do consenso no interior do próprio colegiado.
Memória histórica e os grandes confrontos
Para dimensionar a gravidade da situação, o jurista resgatou episódios marcantes da história nacional. Ele lembrou que o marechal Floriano Peixoto chegou a ameaçar prender integrantes do tribunal no início da República, que Getúlio Vargas promoveu o afastamento sumário de seis ministros ao assumir o poder em 1930 e que o regime militar expurgou magistrados e reduziu as competências da Corte.
A diferença crucial, aponta Vilhena, reside no fato de que, em todos esses eventos dramáticos do passado, a Corte se mantinha coesa frente às investidas externas. Agora, o abalo institucional ocorre de fora para dentro e de dentro para fora, minando a previsibilidade jurídica e elevando a temperatura da crise a níveis históricos.




