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Terremoto mais forte do século na Colômbia deixa mais de 100 mortos e centenas de feridos

João Oliveira
11 de agosto de 2026 às 07:11
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Terremoto mais forte do século na Colômbia deixa mais de 100 mortos e centenas de feridos

Moradores vasculham destroços de um edifício que desmoronou devido a um terremoto em Cali. Foto: Juan Pablo Arbelaez/Reuters – 10.08.2026

Presidente Abelardo De La Espriella decreta emergência nacional após sismo de magnitude 7,4 devastar cidades do oeste colombiano

Decreto de emergência, balanço de vítimas e epicentro em Chocó

Um abalo sísmico de grande proporção ocorrido na manhã de segunda-feira (10) deixou ao menos 132 mortos e mais de 570 feridos no oeste da Colômbia, de acordo com dados consolidados pela Asocapitales, associação que reúne os principais municípios do país. Diante do cenário de destruição, o presidente Abelardo De La Espriella decretou estado de emergência nacional. O evento geológico provocou o colapso de edifícios, avarias em centros hospitalares e colapso na infraestrutura pública, mantendo dezenas de cidadãos soterrados sob os escombros naquela que é considerada a maior tragédia sísmica enfrentada pela nação no século 21.

A catástrofe ocorre poucos dias após a posse de Abelardo De La Espriella na chefia do Executivo colombiano, impondo ao novo mandato sua primeira crise de grande escala. O evento traz à memória a recente sequência de tremores devastadores que atingiram a vizinha Venezuela no mês de junho.

Em pronunciamento oficial transmitido à nação por volta das 13h (horário local), o mandatário detalhou as primeiras ações de contenção e resgate.

“O governo nacional mobilizou todos os seus recursos para proteger vidas, ajudar as comunidades afetadas e levar ajuda aonde for necessário”, disse ele em um pronunciamento à nação por volta das 13h, horário local.

Em seguida, De La Espriella complementou o direcionamento das equipes de socorro:

“A primeira prioridade é resgatar as pessoas presas sob os escombros.”

Conforme medições do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o abalo atingiu magnitude 7,4, com hipocentro localizado a 107 quilômetros de profundidade. O Serviço Geológico da Colômbia ratificou que se trata do evento tectônico de maior magnitude registrado no território nacional desde o início deste século.

Na região rural de Chocó, próxima ao epicentro, a contagem de danos e vítimas sofreu atrasos em decorrência do colapso no sistema de telecomunicações, que deixou vastas áreas sem sinal telefônico por horas. A governadora local, Nubia Carolina Córdoba, confirmou o registro de 12 óbitos e 84 feridos na sua jurisdição.

A maior concentração de vítimas fatais e feridos graves reportada até o momento situa-se no departamento de Risaralda, polo da região cafeeira colombiana. Em Pereira, capital do departamento, os estragos foram extensos, mobilizando brigadas de resgate em buscas ininterruptas entre as estruturas colapsadas.

Colapso de edifícios, fechamento de aeroportos e operações de resgate

Na cidade de Pereira, um prédio residencial de quatro andares ruiu completamente durante o tremor, conforme registros em vídeo validados pela agência Reuters. Parcialmente destruída, a capital do departamento de Caldas, Manizales, registrou a queda de uma das torres laterais de sua catedral de estilo neogótico, cujos destroços atingiram vias públicas do entorno.

Imagens divulgadas por agências internacionais mostram o trabalho conjunto de policiais, bombeiros e voluntários civis que removem entulhos manualmente e organizam o transporte de detritos em caminhões na tentativa de localizar sobreviventes soterrados. Há relatos de avarias severas em edifícios de apartamentos e bases de atendimento médico de emergência, onde parte das fachadas desabou sobre veículos de socorro estacionados.

O bombeiro Mauricio Andrade, em atuação na cidade de Cali, descreveu as operações de salvamento em um imóvel que veio abaixo. De acordo com o profissional, sua equipe obteve êxito ao retirar duas mulheres adultas e duas crianças vivas do local, preparando-se em seguida para acessar novos pontos da estrutura.

“Elas estão vivas”, disse ele. “Estamos abrindo espaço para poder libertá-las e tirá-las de lá.”

Moradores de bairros afetados organizaram frentes autônomas de auxílio. Em depoimento prestado à Caracol Televisão, o morador Juan Carlos Osorio relatou o momento do desabamento de uma edificação em Cali, comparando o impacto sonoro ao de uma explosão, enquanto integrava os trabalhos de remoção de destroços.

“Todos nós, vizinhos, estamos trabalhando juntos, formando correntes humanas. Precisamos de equipamentos pesados. Há muitas pessoas presas.”

Em virtude dos riscos à navegação aérea e para permitir inspeções técnicas detalhadas nas pistas e terminais, a autoridade de aviação civil da Colômbia determinou a interrupção temporária das operações nos aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armênia, Cartago e Buenaventura.

Vulnerabilidade no Anel de Fogo e análise especialista

A Colômbia situa-se sobre a faixa geológica conhecida como Anel de Fogo do Pacífico, uma das zonas de maior instabilidade tectônica do planeta, onde são contabilizados mensalmente milhares de tremores de baixa intensidade.

A sismóloga Suzan van der Lee, docente e pesquisadora na Universidade Northwestern, ponderou que a elevada magnitude do abalo, somada à sua localização continental e ao movimento de deslizamento lateral das placas, contribuiu para amplificar as ondas de choque sobre vales densamente povoados, mesmo com a profundidade considerável do hipocentro.

“Este ocorreu bem abaixo da crosta terrestre e, em teoria, não deveria causar tanto tremor. Com essa magnitude, ele realmente causou muitos tremores”, disse ela.

Até o fim da tarde de segunda-feira, o Serviço Geológico da Colômbia já havia contabilizado 21 réplicas do terremoto principal, emitindo alertas sobre a possibilidade contínua de novos tremores secundários nas áreas atingidas.

A atual catástrofe reacende a memória do sismo de magnitude 6,2 que devastou o eixo cafeeiro colombiano em 1999, ocasião em que mais de mil pessoas perderam a vida, sobretudo nas zonas urbanas de Armênia e Pereira.