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Tarifas dos EUA: incerteza recorrente asfixia competitividade das empresas brasileiras

Redacao
17 de junho de 2026 às 13:09
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Tarifas dos EUA: incerteza recorrente asfixia competitividade das empresas brasileiras

© Lifetime

A escalada das tarifas impostas pelos Estados Unidos tem se tornado um fator de instabilidade crônica para o setor produtivo brasileiro, conforme analisado pelo professor Humberto Aillon, da Fipecafi, em entrevista exclusiva concedida ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC na última quarta-feira, 17 de junho de 2026. A situação, descrita pelo especialista como uma “gangorra” econômica, impõe desafios que transcendem as fronteiras do comércio exterior, contaminando a gestão financeira das empresas e erodindo sua capacidade de planejamento estratégico.

Tarifas em movimento: a volatilidade que sufoca os negócios

Aillon destacou que, somente no mês corrente, diversos segmentos industriais brasileiros já enfrentam perspectivas de elevações tarifárias entre 12,5% e 25% nas importações norte-americanas. Segundo o professor, a recorrência desse tipo de medida — que se repete praticamente todos os meses — cria um ambiente de incerteza insustentável, dificultando a tomada de decisões por parte das companhias.

“Praticamente todo mês a gente tem uma nova discussão sobre a tarifação. Diversos setores vão voltar a ser impactados por aumentos de tarifas de importação entre 12,5% e 25%, o que traz uma pressão muito grande para a competição dos nossos produtos”, afirmou Aillon. A volatilidade, portanto, não se limita a um episódio isolado, mas configura um padrão que compromete a estabilidade operacional das empresas brasileiras, especialmente aquelas com alta exposição ao mercado internacional.

Câmbio e competitividade: o círculo vicioso das incertezas

O impacto das tarifas norte-americanas não se restringe às exportações. Aillon salientou que a combinação entre aumento dos custos de importação e a volatilidade cambial — agravada pela instabilidade das políticas comerciais — afeta diretamente o planejamento financeiro das empresas. A oscilação do dólar, por exemplo, pode ampliar ainda mais os custos de produção, reduzindo margens de lucro e dificultando investimentos em inovação ou expansão.

Nesse contexto, setores como o automotivo, o de bens de capital e o químico — tradicionalmente dependentes de componentes ou insumos importados — são os mais vulneráveis. A pressão sobre a competitividade internacional se torna ainda mais crítica em um cenário onde parceiros comerciais alternativos, como a União Europeia, também enfrentam barreiras tarifárias, reduzindo as opções de diversificação.

Perspectivas para o futuro: entre o curto e o longo prazo

Apesar do cenário adverso, Aillon apontou que a adaptação das empresas brasileiras dependerá, em grande medida, da capacidade de diversificação de mercados e de reestruturação de cadeias produtivas. No entanto, a urgência das medidas requer respostas rápidas, o que, em um ambiente de incerteza permanente, pode não ser viável para todos os setores.

“A discussão sobre tarifas já não é mais pontual; é um fator estrutural que afeta a economia real. As empresas precisam repensar não apenas seus custos, mas toda a sua estratégia de inserção internacional”, concluiu o professor. Enquanto isso, o governo brasileiro e o setor privado seguem em busca de alternativas para mitigar os efeitos dessa crescente pressão tarifária, que já começa a moldar um novo — e mais desafiador — panorama para o comércio exterior brasileiro.