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Semaglutida desponta como promessa no combate à dependência alcoólica em estudo inédito

João Oliveira
31 de julho de 2026 às 15:11
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Semaglutida desponta como promessa no combate à dependência alcoólica em estudo inédito

Comprimidos de semaglutida, aprovados para o tratamento da diabetes, estão sendo submetidos a testes como uma potencial opção terapêutica para a dependência de álcool — Foto: Freepik

Medicamento originalmente antidiabético e antiobesidade mostra efeito colateral promissor

A semaglutida, substância já consolidada no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade, demonstrou potencial inédito no controle da dependência alcoólica. Estudo publicado na revista The American Journal of Psychiatry em 29 de julho de 2025, com dados coletados entre novembro de 2023 e outubro de 2025 no Campus Médico Anschutz da Universidade do Colorado, aponta que o fármaco reduz a liberação de dopamina no núcleo accumbens — região cerebral associada à sensação de prazer — quando em contato com o álcool.

Mecanismo de ação: como a semaglutida interfere na recompensa cerebral

A pesquisa indica que a semaglutida, ao atuar como agonista de GLP-1, modula a resposta dopaminérgica desencadeada não apenas pelo álcool, mas também por outras substâncias como nicotina e opioides. Essa interferência diminui a sensação de prazer associada ao consumo, tornando o ato de beber menos atrativo para os pacientes. Dados preliminares sugerem que até 60% dos usuários relataram redução no desejo de consumir álcool, mesmo sem intenção prévia de reduzir a ingestão.

Implicações clínicas e desafios futuros

Os resultados reforçam a hipótese de que os agonistas de GLP-1, classe à qual pertence a semaglutida, podem ser reutilizados para tratar múltiplas dependências. Especialistas destacam que, embora os dados sejam promissores, ainda são necessários ensaios clínicos mais robustos para validar a eficácia em larga escala e estabelecer protocolos de dosagem específicos para a dependência alcoólica. A pesquisa ocorre em um contexto de crescente interesse acadêmico por terapias que atuem no sistema de recompensa cerebral, um campo até então dominado por abordagens comportamentais e farmacológicas tradicionais.