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Política

Resultado no Amapá amplia pressão sobre Alcolumbre e ameaça planos no Senado

João Oliveira
6 de outubro de 2026 às 10:07
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Resultado no Amapá amplia pressão sobre Alcolumbre e ameaça planos no Senado

© Lula Marques/Agência Brasil.

Derrotas de aliados no estado e avanço da bancada bolsonarista aumentam incertezas sobre permanência do senador no comando da Casa em 2027

Eleições alteram cenário político de Alcolumbre

Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que o senador Davi Alcolumbre (União-AP) terminou as eleições em uma posição política mais vulnerável. Na avaliação desses ministros, os resultados registrados no Amapá e o crescimento do grupo bolsonarista no Senado podem reduzir o espaço de articulação do parlamentar e dificultar seus planos para o próximo ano.

Embora não tenha disputado um cargo nesta eleição, Alcolumbre sofreu um revés político no próprio estado. Seu principal adversário, Dr. Furlan (PSD), foi eleito governador do Amapá no primeiro turno com 281 mil votos, o equivalente a mais de 62% da votação.

O resultado representou uma derrota para Clécio Luís (União), candidato apoiado pelo grupo político de Alcolumbre. O atual governador recebeu 165 mil votos e não conseguiu alcançar a segunda etapa da disputa.

Grupo perde espaço na eleição ao Senado

O desempenho desfavorável também apareceu na corrida pelas duas cadeiras destinadas ao Amapá no Senado Federal. O grupo ligado a Dr. Furlan conseguiu eleger Rayssa Furlan (Podemos), mulher do governador eleito, para uma das vagas.

A outra cadeira ficou com Lucas Barreto (PSD), que também integra o campo político adversário de Alcolumbre.

A candidatura apoiada pelo presidente do Senado, a deputada estadual Alliny Serrão (União), teve desempenho inferior ao esperado. Ela terminou a disputa na quinta posição, com pouco mais de 85 mil votos, correspondente a 9,68% do total.

Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso e aliado de Alcolumbre, também não conseguiu conquistar uma das vagas. O senador terminou em terceiro lugar, com 163 mil votos, ou 18,55% da votação.

Bancada bolsonarista pode mudar disputa

Na avaliação de integrantes do STF, a combinação entre o resultado eleitoral no Amapá e o fortalecimento da bancada alinhada ao bolsonarismo poderá alterar a correlação de forças dentro do Senado.

Segundo essa ala do tribunal, Alcolumbre enfrenta agora dois horizontes de risco político. O primeiro está relacionado à eleição para a presidência do Senado, prevista para o início do próximo ano. O segundo envolve sua própria permanência na Casa a partir de 2031.

A ampliação da bancada bolsonarista é apontada pelos ministros como um fator capaz de dificultar a tentativa de Alcolumbre de permanecer no comando do Senado.

Rogério Marinho ganha força

Nesse novo cenário, a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado poderia ganhar impulso. Marinho é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e aparece, na avaliação dessa ala do STF, como um dos beneficiários do crescimento do grupo bolsonarista no Legislativo.

A leitura desses ministros é que o fortalecimento desse campo político pode elevar as chances de Marinho na disputa pela presidência da Casa e reduzir o espaço disponível para uma eventual candidatura de Alcolumbre.

O senador, que atualmente ocupa a presidência do Senado, terá de lidar com uma composição parlamentar diferente a partir do próximo ano, marcada por uma presença maior de parlamentares identificados com o bolsonarismo.

Amapá representa alerta para 2030

As consequências políticas apontadas pelos ministros não se limitariam à sucessão da presidência do Senado.

No horizonte mais distante, Alcolumbre poderia enfrentar dificuldades para renovar o mandato nas eleições de 2030. O atual mandato do senador começou em 2023, e uma eventual candidatura à reeleição dependerá, entre outros fatores, da capacidade de reconstruir sua base política no Amapá.

Para essa ala do STF, o resultado das eleições no estado é um indicativo de que a configuração das forças políticas locais pode estar passando por uma transformação.

A derrota de candidatos apoiados por Alcolumbre nas principais disputas estaduais e para o Senado é interpretada por esses ministros como um sinal de redução da influência do senador em seu principal reduto eleitoral.

O cenário, portanto, coloca Alcolumbre diante de uma dupla disputa política: preservar espaço para tentar continuar à frente do Senado no próximo ano e, simultaneamente, reconstruir sua força no Amapá para chegar competitivo à eleição de 2030.

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