Condutor é apontado pela Polícia Civil como responsável por duas colisões na Avenida Isaac Póvoas; investigação sustenta que ele poderia ter evitado os impactos e apura homicídio doloso
A Polícia Civil cumpriu, na manhã deste sábado (5), um mandado de prisão preventiva contra o motorista de uma BMW investigado por dois atropelamentos envolvendo motociclistas na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá. Um dos episódios terminou com a morte de Paulo Messias Simão da Costa, na madrugada de domingo (30).
A ordem judicial foi expedida após representação baseada nas investigações da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran). A apuração enquadra, em tese, a conduta do investigado como homicídio doloso, previsto no artigo 121 do Código Penal.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos até agora indicam que o motorista dispunha de condições para evitar as colisões, mas não teria realizado manobras para impedir os impactos.
Investigação aponta consumo de álcool e velocidade elevada
De acordo com a apuração, o motorista teria consumido bebida alcoólica em uma casa noturna localizada na região central de Cuiabá antes dos acidentes.
Ainda conforme a Polícia Civil, ele se envolveu em uma discussão com seguranças do estabelecimento e também com a pessoa que o acompanhava. Na sequência, deixou o local conduzindo a BMW em alta velocidade.
Ao acessar a Avenida Isaac Póvoas, o veículo teria alcançado velocidade superior a três vezes o limite permitido no trecho, segundo os dados analisados pelos investigadores. A polícia também afirma que o motorista avançou sinais vermelhos em diferentes cruzamentos ao longo da avenida.
Primeiro motociclista foi atingido na Presidente Marques
A primeira colisão ocorreu no cruzamento das avenidas Isaac Póvoas e Presidente Marques.
Segundo a investigação, a BMW avançou a sinalização semafórica e atingiu a traseira de uma motocicleta. O motociclista foi lançado ao chão e ficou ferido.
O motorista teria deixado o local sem prestar assistência. A vítima sobreviveu aos ferimentos.
Segunda colisão terminou em morte
Aproximadamente 700 metros depois, ocorreu um novo acidente.
A Polícia Civil afirma que o motorista novamente desrespeitou a sinalização e atingiu outra motocicleta. Desta vez, o motociclista, identificado como Paulo Messias Simão da Costa, morreu em consequência da colisão.
A análise da dinâmica dos acidentes levou os investigadores a sustentar que havia espaço disponível para que o condutor desviasse das motocicletas.
Conforme a apuração, duas faixas estavam livres e possibilitariam a realização de manobras evasivas, mesmo considerando a velocidade elevada em que o veículo trafegava.
Para a Deletran, a ausência dessas manobras nos dois episódios é um dos elementos considerados na investigação sobre eventual intenção na conduta do motorista.
Polícia aponta fuga e ausência de socorro às vítimas
Os investigadores também consideraram o comportamento adotado após as colisões. Segundo a Polícia Civil, o condutor deixou os locais sem verificar as condições das vítimas e sem prestar socorro.
O motorista se apresentou à Deletran na manhã de sexta-feira (4), acompanhado de defesa, mas exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.
A companheira dele, intimada para prestar depoimento como testemunha, não compareceu à delegacia. A investigação apura as circunstâncias da ausência e considera, entre as hipóteses, eventual coação para que ela não prestasse declarações contra o investigado.
Justiça determina prisão preventiva
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiva do motorista sob a imputação, em tese, de homicídio doloso.
O pedido foi acolhido e o mandado cumprido neste sábado.
Após os procedimentos na delegacia, o investigado deverá ser apresentado em audiência de custódia e permanecerá à disposição do Poder Judiciário.




