Em coletiva nesta quarta-feira (21), governador afirmou que pretende diminuir despesas e burocracia sem comprometer os serviços à população; habitação popular, industrialização da produção agrícola e parcerias com Cuiabá e Várzea Grande estão entre as prioridades da gestão
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), apresentou nesta quarta-feira (21) as diretrizes que pretende adotar para reorganizar a administração estadual e estabelecer as prioridades de seu próximo mandato. Durante entrevista coletiva no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, defendeu a redução do tamanho da máquina pública, o aprimoramento dos serviços oferecidos à população e a ampliação de políticas capazes de transformar o crescimento econômico do Estado em melhores condições de vida para os mato-grossenses.
Reeleito para o período de 2027 a 2030, Pivetta deixou claro que as mudanças pretendidas vão além de uma reforma administrativa convencional. Segundo ele, o objetivo é promover uma transformação no funcionamento do governo, eliminando estruturas desnecessárias, reduzindo despesas e aumentando a eficiência na utilização dos recursos públicos.
A proposta, conforme explicou, não está necessariamente vinculada à extinção de secretarias. O governador considera mais importante rever a organização interna dos órgãos, integrar equipes, simplificar procedimentos e valorizar os servidores de carreira.
“É possível que a gente mantenha o número de secretarias, mas com um organograma mais vertical, com menos burocracia, menos gente, trabalhar mais com os quadros do Estado, que já são de carreira”, afirmou.
Redução do Estado terá como prioridade eficiência e economia
Pivetta argumentou que mudanças administrativas precisam produzir resultados concretos, em vez de se limitarem à redução de nomes de órgãos ou à reorganização formal das secretarias.
“Muitas vezes, tem essas medidas que são muito midiáticas, de corta, corta, corta, mas mantém o número de pessoas, mantém os gastos. Só diminui as nomenclaturas, mas mantém a mesma estrutura”, observou.
De acordo com o governador, aproximadamente dez técnicos de carreira, com participação da vice-governadora eleita Gisela Simona (União Brasil), trabalham na elaboração de um diagnóstico da administração estadual. A expectativa é que o plano seja apresentado até o final da próxima semana.
Entre as alternativas avaliadas estão a integração de serviços jurídicos, setores de compras e engenharia, a modernização dos sistemas administrativos e a diminuição de cargos comissionados.
Pivetta também mencionou o objetivo de alcançar uma economia anual de R$ 1 bilhão, por meio de medidas que abrangem desde o funcionamento das secretarias até a utilização de veículos oficiais e a revisão de processos internos.
“Não é só redução na máquina. É veículos, é reforma administrativa, simplificação dos processos. Muitas coisas são possíveis. Nós vamos fazer tudo que é possível”, declarou.
Ao defender a necessidade de controlar os gastos, o governador relacionou diretamente o custo da administração à capacidade financeira dos contribuintes.
“Nós precisamos adequar a nossa máquina pública à capacidade e à disposição que o nosso povo tem de sustentar o Estado. Nós temos que diminuir o peso do Estado sobre o lombo do trabalhador. E nós faremos isso”, enfatizou.
“Nenhum mato-grossense ficará para trás”: governador reafirma compromisso social
Questionado sobre a declaração feita durante sua posse, quando afirmou que “Nenhum mato-grossense ficará para trás”, Pivetta reafirmou o compromisso de conduzir uma administração voltada à ampliação das oportunidades econômicas e à melhoria das condições de vida, especialmente das famílias de menor renda.
O governador destacou que Mato Grosso precisa avançar para uma nova etapa de desenvolvimento, na qual a força da produção agropecuária também resulte em industrialização, geração de empregos e distribuição mais ampla das oportunidades.
Nesse contexto, defendeu iniciativas capazes de estimular a verticalização da produção agrícola, permitindo que uma parcela maior das riquezas produzidas no Estado seja processada e transformada em produtos de maior valor agregado dentro do próprio território mato-grossense.
A estratégia busca ampliar a presença de indústrias, fortalecer cadeias produtivas e criar oportunidades profissionais para a população, reduzindo a dependência econômica da comercialização de matérias-primas.
A industrialização, associada à qualificação profissional e aos investimentos em infraestrutura, foi apresentada como um dos caminhos para fazer com que o desenvolvimento econômico alcance diferentes regiões e grupos sociais.
Habitação popular ganha destaque entre os investimentos previstos
Outro compromisso reafirmado por Pivetta foi a ampliação dos investimentos em habitação, sobretudo para famílias que enfrentam dificuldades financeiras e não conseguem acessar o mercado imobiliário convencional.
O governador defendeu a necessidade de melhorar as condições de moradia da população de baixa renda, associando o acesso à habitação à dignidade, à segurança familiar e à qualidade de vida.
A prioridade social também está presente nas discussões em andamento na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O Parlamento analisa uma proposta que autoriza o Estado a contratar até R$ 1,5 bilhão em financiamento junto à Caixa Econômica Federal, destinado a investimentos em infraestrutura e saúde.
Uma das emendas apresentadas ao projeto estabelece a aplicação de recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) em programas habitacionais, em montante equivalente ao financiamento. A medida está relacionada ao compromisso do governo de viabilizar mais 60 mil moradias populares em Mato Grosso.
O projeto ainda depende das deliberações legislativas e dos procedimentos necessários à contratação da operação financeira.
Cuiabá e Várzea Grande poderão contar com parceria do governo
Ao abordar a atuação do Executivo estadual nas duas maiores cidades da região metropolitana, Pivetta assegurou que o governo permanecerá disponível para participar de iniciativas apresentadas pelas administrações municipais.
Segundo o governador, tanto Cuiabá quanto Várzea Grande poderão contar com a participação do Estado na construção de projetos socioeconômicos, desde que haja diálogo e iniciativa dos respectivos prefeitos.
A posição reforça o modelo de cooperação que Pivetta pretende ampliar entre o Palácio Paiaguás e as prefeituras, com prioridade para ações que tenham impacto direto sobre a população.
O governador sinalizou que a administração estadual não pretende substituir as competências municipais, mas atuar como parceira na execução de investimentos e programas de interesse coletivo.
A relação entre o governo e Várzea Grande ganhou destaque nesta quarta-feira em razão das discussões sobre os problemas históricos de saneamento básico do município.
Durante uma reunião técnica relacionada à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Santa Maria, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, destacou a importância da participação estadual nas iniciativas para enfrentar as deficiências do abastecimento de água e do tratamento de esgoto.
A estrutura da ETE Santa Maria, cujas obras enfrentam dificuldades desde 2013, tem potencial para beneficiar aproximadamente 60 mil moradores, segundo as informações divulgadas durante a reunião.
Governo pretende ampliar autonomia das prefeituras e rever responsabilidade por estradas
Entre as medidas apresentadas na coletiva, Pivetta também anunciou a intenção de rever a classificação de aproximadamente 12 mil quilômetros de rodovias que atualmente integram a malha estadual.
Segundo ele, parte dessas estradas foi incorporada à responsabilidade do Estado ao longo das últimas décadas, embora, na prática, nunca tenha recebido manutenção regular da administração estadual.
A proposta prevê devolver esses trechos à responsabilidade dos municípios, acompanhada de mecanismos de transferência de recursos para que as próprias prefeituras possam realizar os serviços necessários.
O governador também defendeu a simplificação dos repasses financeiros aos municípios, com transferências diretas entre fundos, reduzindo exigências burocráticas.
A medida, entretanto, ainda depende de detalhamento. Pivetta não informou quais rodovias serão incluídas, nem os valores que poderão ser destinados às administrações municipais.
Na avaliação do Executivo, a descentralização poderá conferir maior autonomia às prefeituras e tornar a manutenção das estradas mais próxima das necessidades locais.
Mudanças poderão atingir cargos comissionados
A possível redução de pessoal também foi abordada durante a entrevista. Questionado sobre a hipótese de desligamentos e sobre a conveniência de cortar cargos comissionados antes de considerar medidas envolvendo servidores efetivos, Pivetta indicou que mudanças no quadro administrativo deverão ocorrer.
“Não vou falar de demissão, né? Algumas pessoas serão desconvidadas, tá vendo? Desligadas”, afirmou.
O governador não informou o número de postos que poderão ser extintos nem quais secretarias serão mais afetadas.
A definição dependerá das conclusões do grupo técnico que estuda a estrutura administrativa.
Desafio será conciliar economia com ampliação dos serviços públicos
As declarações de Pivetta apontam para uma estratégia que combina contenção de despesas, descentralização administrativa e manutenção dos investimentos considerados prioritários.
Ao mesmo tempo em que pretende reduzir a estrutura de funcionamento do Estado, o governador reafirma a intenção de expandir políticas públicas em áreas que afetam diretamente o cotidiano da população, como habitação, desenvolvimento econômico e infraestrutura.
O principal desafio será demonstrar, na prática, que uma administração menos onerosa poderá preservar a qualidade dos serviços e ampliar sua capacidade de atendimento.
Os resultados dependerão não apenas da economia anunciada, mas também dos critérios utilizados na reorganização dos órgãos, da capacidade de execução dos investimentos e da efetividade das parcerias com os municípios.
Com o novo mandato previsto para começar em janeiro de 2027, a apresentação do plano de reestruturação deverá oferecer os primeiros elementos concretos para avaliar o alcance das mudanças defendidas pelo governador e seus possíveis efeitos sobre a administração estadual e a população mato-grossense.
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