Acusações contra o presidente são contestadas por autoridades e pela defesa do ex-banqueiro; grupo de advogados pede investigação sobre possível articulação para interferir na eleição
A reportagem da revista Veja que atribuiu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu um duro revés nesta sexta-feira (9). A Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa do antigo controlador do Banco Master negaram a existência do depoimento e dos documentos apresentados pela publicação como parte de uma tentativa de delação premiada.
A controvérsia ganhou dimensão política após a divulgação de que Fábio Carvalho, proprietário da Veja, participou de encontros com Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. A informação consta de artigo do empresário João Moreira Salles publicado na revista piauí.
Autoridades contestam acusações
A Veja sustentou que Vorcaro teria financiado um documentário sobre Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, na expectativa de obter vantagens em negócios com o governo federal. A própria revista, entretanto, reconheceu não haver provas de um encontro entre o banqueiro e o presidente.
“Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, afirmou a Polícia Federal.
A PGR também negou ter recebido o suposto depoimento. A defesa de Vorcaro repudiou a divulgação de informações atribuídas a uma colaboração premiada que não chegou a ser formalizada.
Suspeita de interferência eleitoral
O grupo Prerrogativas acionou a Polícia Federal para investigar relatos de uma possível articulação destinada a divulgar acusações contra Lula durante o segundo turno. A representação levanta a hipótese de que Vorcaro teria sido incentivado a produzir declarações em troca de benefícios relacionados à sua prisão.
Os advogados reconhecem, porém, que não tiveram acesso ao suposto material e pedem que sua existência e autenticidade sejam verificadas.
A participação do dono da Veja em encontros com Flávio Bolsonaro acrescentou um componente político à controvérsia, mas não constitui prova de envolvimento em qualquer articulação.
O episódio expõe uma questão central: acusações capazes de interferir em uma eleição foram divulgadas sem comprovação do suposto encontro com Lula e tiveram sua origem documental contestada pelas próprias instituições responsáveis pelas investigações.
Agora, caberá à Polícia Federal esclarecer se houve apenas a circulação de informações não comprovadas ou uma tentativa deliberada de influenciar a disputa presidencial.
( Com Forum e Folha de S.Paulo )




