Proposta de fim da escala 6×1 acende sinal de alerta no agro
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 1/2026, promulgada na última quarta-feira (11/06/2026) com entrada imediata na legislação trabalhista, impôs a extinção da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A medida, apresentada como modernização das relações de trabalho, tem sido alvo de críticas severas por parte de representantes do setor produtivo, que alertam para consequências estruturais em cadeias produtivas e na saúde financeira de empresas.
Setores produtivos em alerta: custos em alta e mão de obra em xeque
Desde a entrada em vigor da PEC, associações de diversos segmentos econômicos têm relatado dificuldades para se adaptar à nova realidade. Entre os principais pontos de tensão estão o aumento projetado nos custos operacionais — estimado em até 15% em setores intensivos em mão de obra — e a escassez de recursos humanos em atividades que exigem disponibilidade imediata, como colheitas agrícolas e operações logísticas.
Agro: particularidades ignoradas pela PEC
Clorialdo Roberto Levrero, presidente do conselho deliberativo da Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal), destacou que a legislação desconsiderou as particularidades do setor agropecuário. “As janelas de plantio e colheita não podem ser ajustadas a uma grade de horários fixa. A soja, por exemplo, tem um ciclo de maturação que exige mão de obra concentrada em períodos específicos”, afirmou Levrero. Segundo ele, a rigidez da PEC pode resultar em perdas de safra e elevação dos preços de commodities.
Indústria e serviços: entre a redução de custos e a queda de produtividade
No setor industrial, a redução da jornada semanal já começa a refletir em demissões temporárias e terceirizações de turnos. Lucas Ferreira, diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou que a medida “ignora a complexidade de cadeias globais, onde pausas não programadas geram prejuízos irrecuperáveis”. Já no comércio e serviços, a preocupação recai sobre a necessidade de contratação de novos funcionários para cobrir os dois dias de descanso obrigatórios, o que, segundo analistas, pode pressionar ainda mais a inflação de serviços.
Governo mantém narrativa de modernização, mas setores cobram diálogo
Em nota oficial divulgada na sexta-feira (13/06/2026), o Ministério do Trabalho e Emprego reafirmou que a PEC é um “avanço civilizatório” e que os impactos serão compensados por ganhos de produtividade a longo prazo. No entanto, representantes do setor produtivo exigem revisão imediata, sob o risco de desabastecimento em setores estratégicos e desindustrialização acelerada. “Essa PEC foi aprovada às pressas, sem estudos de impacto. Agora, pagaremos o preço”, declarou um executivo do setor de transportes, que preferiu não se identificar.

