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Onça-Parda invade residência na zona norte de São Paulo e ataca cão da raça pitbull

João Oliveira
8 de agosto de 2026 às 08:15
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Onça-Parda invade residência na zona norte de São Paulo e ataca cão da raça pitbull

Reprodução / X

Ocorrência registrada na Serra da Cantareira mobilizou família na madrugada e acendeu alerta entre moradores

Invasão de imóvel e confronto na Serra da Cantareira

Uma família viveu momentos de sobressalto durante a madrugada de quinta-feira (6), após uma onça-parda (suçuarana) penetrar no interior de um imóvel residencial situado no trecho da Serra da Cantareira, na Zona Norte do município de São Paulo.

A moradora e administradora Mirella Ramos relatou que o incidente teve início após as 3h, momento em que se levantou com a finalidade de amamentar a filha de três meses de idade. Ao perceber um ruído incomum vindo do corredor da habitação, o cão da família, um pitbull chamado Ragnar, deslocou-se rapidamente em direção ao barulho. A atitude do animal doméstico despertou a atenção da proprietária, visto que o animal costuma acompanhar seus passos nos deslocamentos internos.

Segundos depois, Mirella escutou um rosnado vindo do local e chamou o cônjuge. Diante da ausência de iluminação no corredor, o morador foi averiguar o ambiente e se deparou com Ragnar em confronto direto com outro animal junto à porta dos fundos. Ao tentar puxar o cão pela pata para afastá-lo da briga, o homem constatou que o felino tratava-se de uma onça-parda de porte adulto.

Diante do risco iminente, o morador fechou a porta de acesso e orientou a esposa a se abrigar no quarto na companhia dos filhos. A avaliação dos moradores é de que o felino silvestre já se encontrava no recinto interno da casa quando o cão percebeu a presença pelo odor e investiu contra o predador.

O confronto entre os animais encerrou-se no momento em que a filha de 3 anos do casal começou a chorar, solicitando o retorno do cão ao espaço externo. Ragnar conseguiu se afastar da disputa com o felino e foi prontamente socorrido pela família.

Equipamentos de monitoramento por vídeo registraram a imagem da suçuarana transitando pelas vias do condomínio horas após o embate no imóvel. Conforme relatado por Mirella, relatos anteriores sobre a presença de espécies silvestres na vizinhança já circulavam entre os habitantes, embora avistamentos de felinos de grande porte permanecessem restritos a comentários informais.

Gravidade dos ferimentos do animal e repercussões na comunidade

O cão Ragnar sofreu lesões severas na região facial, além de ter uma veia cardíaca comprometida em decorrência do ataque, necessitando de procedimento cirúrgico de emergência. No dia subsequente ao fato, o mesmo espécime de onça-parda foi visualizado novamente na escadaria do imóvel.

Na segunda ocasião, a família permaneceu isolada com os acessos trancados. Mirella informou ter acionado a portaria e a segurança interna do loteamento, que enviou um agente de moto ao local. A administradora relatou também ter buscado auxílio junto ao serviço florestal e à Defesa Civil municipal, sem obter atendimento imediato para o manejo do animal.

Na sequência do ataque ao canino, a comunidade do entorno protocolou mais de duas dezenas de chamados aos órgãos competentes. De acordo com o depoimento de Mirella, a Defesa Civil argumentou que o deslocamento de equipes estaria condicionado ao recebimento de um volume mais expressivo de solicitações de moradores.

O imóvel ocupado pela família levou cerca de cinco anos para ser construído, com o objetivo de proporcionar convivência com a vegetação nativa para as três filhas do casal. Diante da permanência do risco, Mirella estuda a possibilidade de alienar a propriedade caso o animal não seja localizado e transferido por órgãos ambientais.

“Estamos apavorados e queremos que alguma autoridade tome alguma providência”, afirmou.