DayNews
Notícias

Max Russi cobra reação ao feminicídio e defende educação como eixo de prevenção em Mato Grosso

Missias
13 de agosto de 2026 às 18:44
Compartilhar:
Max Russi cobra reação ao feminicídio e defende educação como eixo de prevenção em Mato Grosso

© Gil Gomes/ALMT

Presidente da Assembleia Legislativa classifica cenário como “lamentável e vergonhoso” após três mulheres serem assassinadas nesta semana e defende ações nas escolas, punição aos agressores e maior presença feminina nos espaços de decisão

Em meio às mobilizações do Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Pode), voltou a cobrar medidas mais amplas de prevenção diante do número de feminicídios registrados no estado em 2026.

A manifestação do parlamentar ocorre após três mulheres serem assassinadas nesta semana no interior mato-grossense. Para Russi, o combate à violência de gênero exige não apenas responsabilização criminal, mas também mudanças culturais capazes de atingir as novas gerações.

Dados do Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), contabilizavam 28 vítimas de feminicídio no estado neste ano. Junho aparecia, até então, como o período mais grave, com sete ocorrências.

Com os assassinatos registrados nesta semana e caso a motivação de gênero seja confirmada nas investigações, Mato Grosso poderá alcançar 30 feminicídios em 2026.

“Esse número de feminicídios nos entristece bastante. É uma situação lamentável e vergonhosa. Tenho defendido um trabalho dentro das escolas para combater essa cultura que, infelizmente, ainda existe em nossa sociedade. Muitos homens ainda se acham donos das mulheres, não aceitam o fim de um relacionamento e acabam recorrendo à violência como forma de vingança, chegando até ao feminicídio”, declarou.

Educação e prevenção entram no centro do debate

Na avaliação de Max Russi, políticas públicas de proteção precisam ser acompanhadas de iniciativas educacionais voltadas à mudança de comportamento e à desconstrução de padrões que naturalizam relações de posse, controle e violência contra mulheres.

O deputado sustenta que levar esse debate ao ambiente escolar pode contribuir para prevenir comportamentos violentos antes que eles se consolidem na vida adulta.

A discussão ganha peso adicional durante o Agosto Lilás, período destinado à conscientização da sociedade sobre a violência doméstica e familiar e à divulgação dos mecanismos disponíveis para proteção das vítimas.

Max defende maior presença de mulheres na política

Além das medidas preventivas, o presidente da ALMT considera necessário ampliar a participação feminina nos espaços responsáveis pela formulação de políticas públicas.

Segundo ele, uma presença mais expressiva de mulheres em cargos de liderança e representação política tende a incorporar novas perspectivas às estratégias de enfrentamento à violência de gênero.

“Nós também precisamos ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão. Quanto mais mulheres participarem da política, ocuparem posições de liderança e tiverem voz na construção das políticas públicas, mais condições teremos de trazer diferentes experiências para esse debate e fortalecer ações de enfrentamento à violência. Precisamos incentivar e abrir cada vez mais espaço para essa participação”, afirmou.

Presidente estadual do Podemos, Russi também vem defendendo uma presença feminina mais ampla nas chapas proporcionais da legenda nas eleições deste ano, tanto na disputa por vagas na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados.

Assassinato em Vila Bela terminou com prisão do suspeito

Um dos crimes registrados nesta semana ocorreu na zona rural de Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 quilômetros de Cuiabá.

Sirlei Gomes de Oliveira, de 42 anos, foi morta a tiros no domingo (9), em uma propriedade rural do município. O marido dela, Diogo Tavares, também de 42 anos, foi preso preventivamente na quarta-feira (12), apontado como suspeito do homicídio.

Após o crime, ele teria permanecido escondido em uma região de mata. A localização ocorreu depois que o proprietário da fazenda comunicou aos investigadores que o suspeito pretendia se entregar.

As apurações indicam que o relacionamento apresentava histórico de violência doméstica. Conforme as informações reunidas na investigação, porém, Sirlei não havia formalizado denúncias anteriores de agressão.

Duas agentes de saúde são mortas em Poconé

Outro episódio de violência foi registrado na madrugada desta quinta-feira (13), no Distrito de Cangas, em Poconé, a 104 quilômetros da capital.

As agentes de saúde Maria Helena do Carmo e Cleidineia Eucaris da Costa foram mortas a facadas durante uma confraternização. Um homem também ficou ferido no ataque.

O principal suspeito é José Carrea de Miranda, ex-marido de Maria Helena. Ele foi preso por policiais depois do crime.

Os episódios voltam a colocar a violência contra a mulher no centro do debate público em Mato Grosso e reforçam a pressão sobre instituições e autoridades por ações que combinem prevenção, proteção às vítimas, investigação e responsabilização dos autores.