Oficina realizada em Cuiabá reúne gestores, especialistas e instituições estratégicas para definir medidas de prevenção e atendimento durante períodos de seca, calor intenso, baixa umidade e queimadas
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) iniciou uma mobilização conjunta com órgãos públicos, municípios e instituições especializadas para ampliar a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) aos efeitos das emergências climáticas.
A iniciativa ocorre diante dos riscos provocados por estiagens prolongadas, ondas de calor, incêndios florestais, queimadas e baixa umidade do ar, condições que podem favorecer o surgimento ou o agravamento de diferentes problemas de saúde.
As estratégias estão sendo debatidas em uma oficina promovida pela SES em Cuiabá, com programação até quinta-feira (30.7). O encontro tem como foco a construção de medidas de preparação, adaptação e atendimento à população diante de cenários climáticos adversos, incluindo os possíveis impactos relacionados ao El Niño.
Planejamento busca reduzir impactos sobre a saúde
Na abertura da programação, realizada na terça-feira (28.7), representantes das instituições participantes defenderam a organização antecipada das ações de prevenção e assistência. A proposta é estabelecer uma resposta mais integrada e eficiente, especialmente diante do histórico recente de secas severas e queimadas registrado em Mato Grosso.
Ao longo da oficina, os participantes analisam cenários de risco e discutem protocolos para situações envolvendo fumaça, calor extremo, elevação das temperaturas, baixa umidade e escassez de chuvas.
Entre as principais preocupações estão os casos de desidratação e o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. O planejamento também considera a necessidade de proteção específica para idosos, pacientes acamados, pessoas com doenças crônicas e outros grupos mais suscetíveis aos efeitos das condições climáticas extremas.
Áreas do SUS deverão atuar de forma integrada
A resposta às emergências climáticas envolve diferentes setores da saúde pública. Por esse motivo, a oficina prevê a elaboração de planos de ação e contingência que articulem Vigilância em Saúde, Atenção à Saúde, Assistência Farmacêutica, Regulação, laboratórios, serviços de urgência e emergência, hospitais, gestões regionais e administrações municipais.
A intenção é estabelecer procedimentos coordenados entre os serviços de saúde e as demais instituições responsáveis pelo enfrentamento de incêndios, monitoramento ambiental, defesa civil e produção de informações científicas.
Participam do encontro representantes dos Escritórios Regionais de Saúde, das secretarias municipais de Saúde, do Ministério da Saúde, da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros Militar, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e do Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso (Lacen-MT).
A programação também reúne integrantes de universidades, centros de pesquisa, do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems-MT), do Comitê Estadual de Gestão do Fogo e de outras organizações parceiras.
População deve reforçar hidratação e evitar exposição ao calor
Os sinais de possível ocorrência do El Niño, fenômeno que pode contribuir para o agravamento da estiagem em determinadas regiões do país, ampliam a necessidade de cuidados preventivos durante o período mais seco do ano.
A orientação é aumentar o consumo de água, evitar exercícios físicos nos horários de temperaturas mais elevadas e manter os ambientes umidificados. Diante de sintomas respiratórios, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e diagnóstico.
A população também deve acompanhar os alertas meteorológicos, principalmente os relacionados à baixa umidade do ar e às ondas de calor. Pessoas que precisarem permanecer ao ar livre devem utilizar protetor solar e roupas que reduzam a exposição aos raios ultravioleta e às altas temperaturas.
Pacientes com asma, hipertensão e outras doenças crônicas precisam manter o uso correto dos medicamentos e observar eventuais sinais de agravamento do quadro clínico.
Animais também precisam de proteção
Os cuidados devem ser estendidos aos animais domésticos. Durante os dias mais quentes, os tutores devem garantir água fresca e locais arejados, além de evitar passeios nos horários de maior incidência solar.
O contato com o asfalto ou outras superfícies superaquecidas pode provocar queimaduras nas patas dos animais.
Queima de lixo aumenta risco de incêndios
Outra recomendação é não utilizar fogo para eliminar lixo ou limpar terrenos e quintais. Além de prejudicar a qualidade do ar, a prática pode provocar incêndios florestais e atingir imóveis próximos.
Crianças não devem ter acesso a fósforos, isqueiros ou outros materiais inflamáveis. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193.


