A delegação iraniana da Copa do Mundo de 2026 transformou Tijuana, cidade mexicana na fronteira com os Estados Unidos, em sua base operacional para o torneio. A decisão, anunciada pelo embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, visa contornar as barreiras burocráticas impostas pela emissão de vistos americanos, agravadas pelo contexto de tensão entre Teerã e Washington no Oriente Médio.
Da Tucson à Tijuana: uma reviravolta logística forçada
Inicialmente, o Irã planejava concentrar-se em Tucson, no Arizona, mas a estratégia foi abortada devido à recusa de vistos para 15 membros da comissão técnica e dirigentes. A mudança para Tijuana, a apenas 20 quilômetros de San Diego, permite que a equipe minimize deslocamentos transcontinentais, ainda que exija viagens diárias ou em dias alternados para os jogos nos EUA.
Grupo G na mira: três compromissos, três cidades distintas
O Irã, que integra o Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, terá uma programação geograficamente desafiadora. Duas de suas três partidas da fase inicial serão disputadas em Los Angeles (Califórnia), enquanto a terceira ocorrerá em Seattle (Washington). O deslocamento entre Tijuana e cada uma dessas cidades, mesmo com curtas distâncias, exigirá coordenação minuciosa para evitar atrasos que comprometam a preparação da equipe.
Burocracia e esporte: o Irã entre a espada e a parede
Segundo autoridades iranianas, a falta de autorização para 15 integrantes da comitiva — majoritariamente técnicos e funcionários — reflete um cenário de relações internacionais deterioradas. Enquanto a FIFA mantém neutralidade sobre o tema, a logística imposta ao Irã expõe as fragilidades de um torneio global realizado em três países simultaneamente, onde fronteiras políticas e imigratórias podem se tornar barreiras inesperadas.
Consequências além do gramado
A estratégia de fixar base em Tijuana, embora viável, carrega riscos. A proximidade com a fronteira pode expor a delegação a fiscalizações mais rigorosas, enquanto a rotina de viagens diárias entre países impõe desgaste físico e psicológico aos jogadores. Para o Irã, que busca superar a fase de grupos após eliminações consecutivas em Copas do Mundo anteriores, a eficiência logística pode ser tão crucial quanto o desempenho em campo.
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