Polícia Civil investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e atuação de empresas ligadas a jogos clandestinos; Justiça determina bloqueio de contas, apreensão de veículos de luxo e suspensão de atividades financeiras
Uma influenciadora digital de Várzea Grande e o marido são alvos da Operação Aposta Final, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta quarta-feira (14). A investigação apura a existência de um esquema de divulgação e exploração de jogos de azar ilegais, com suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras superiores a R$ 102,4 milhões em apenas dois meses.
Ao todo, foram expedidas 19 ordens judiciais, incluindo buscas em imóveis ligados aos investigados, apreensão de veículos, bloqueio de recursos financeiros e suspensão das atividades de duas empresas suspeitas de integrar a estrutura utilizada para movimentar o dinheiro das apostas.
As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, em Cuiabá, após investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).
Empresas movimentaram R$ 102 milhões em dois meses
O caso começou a ser investigado em agosto deste ano, após uma denúncia apontar possíveis ligações entre a divulgação de plataformas clandestinas de apostas, uma facção criminosa e operações destinadas à ocultação da origem de recursos financeiros.
No decorrer das apurações, os investigadores identificaram publicações da influenciadora que direcionavam seguidores a sites de jogos não autorizados. Os pagamentos eram realizados por Pix e destinados a duas empresas que, segundo a Polícia Civil, não possuíam autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para operar apostas de quota fixa.
Uma dessas empresas registrou movimentação superior a R$ 102,4 milhões entre 14 de maio e 12 de julho de 2026, somando entradas e saídas de recursos.
O volume financeiro e a frequência das operações chamaram a atenção dos investigadores. Foram identificadas transferências sucessivas, com recebimento e redistribuição de valores em curtos intervalos, comportamento considerado suspeito pela polícia.
A principal hipótese investigativa é que as empresas tenham funcionado como intermediárias financeiras para receber e movimentar recursos provenientes das apostas ilegais.
Veículos de luxo e viagens internacionais levantaram suspeitas
Outro elemento considerado relevante pela Polícia Civil foi a evolução patrimonial dos investigados. Conforme os levantamentos, o casal apresentava bens e despesas aparentemente incompatíveis com os rendimentos declarados, incluindo veículos de alto valor, imóvel residencial e viagens ao exterior.
Diante dos indícios, a Justiça autorizou o bloqueio de ativos financeiros até o limite global de R$ 102,4 milhões, além da apreensão de quatro veículos: duas caminhonetes Toyota Hilux, uma Volkswagen Saveiro e um Volkswagen Nivus GTS.
Os mandados de busca abrangem imóveis residenciais e estabelecimentos comerciais associados aos investigados, entre eles um salão de beleza e um açougue localizados em Várzea Grande e Cuiabá.
A operação pretende recolher aparelhos eletrônicos, documentos, comprovantes de transações e registros contábeis que possam esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados.
Justiça determina exclusão de perfis e bloqueio de site de apostas
Para impedir a continuidade das atividades suspeitas, a decisão judicial também estabeleceu a suspensão cautelar das operações econômicas e financeiras das duas empresas investigadas.
A influenciadora ficou proibida de criar, acessar ou utilizar redes sociais e plataformas digitais para promover jogos e apostas. A Justiça autorizou ainda a exclusão de perfis utilizados na divulgação das atividades investigadas e o bloqueio de um site vinculado ao esquema.
Também foi determinada a quebra de sigilo de dados telemáticos, medida destinada a ampliar a coleta de informações sobre a atuação dos suspeitos e eventuais conexões com outros envolvidos.
Polícia investiga possível participação de organização criminosa
Com a Operação Aposta Final, os investigadores pretendem identificar quem administrava efetivamente as plataformas divulgadas, reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e apurar a eventual participação de integrantes de organizações criminosas.
O nome da operação faz referência à tentativa de interromper o funcionamento da estrutura investigada, especialmente os mecanismos de publicidade e movimentação financeira associados aos jogos clandestinos.
As investigações continuam, e a Polícia Civil busca reunir novos elementos para definir a extensão das atividades suspeitas e individualizar a responsabilidade dos envolvidos. As medidas judiciais têm caráter cautelar e não representam condenação dos investigados.




