Gianni Infantino sinalizou que está disposto a considerar mudanças na governança da FIFA após a repercussão negativa do projeto FIFA Forward Enterprise, conhecido como FFE. Em carta enviada às 211 federações membros, o presidente da entidade propôs uma avaliação independente dos processos internos, com foco na forma como iniciativas estratégicas são discutidas, aprovadas e apresentadas ao futebol mundial.
Pressão cresce após reação ao FFE
O projeto, que previa investimentos privados em competições, provocou resistência imediata e ganhou contornos de crise institucional. A UEFA liderou ameaças de boicote, aumentando a pressão sobre a FIFA e transformando o debate em um dos maiores desafios recentes enfrentados por Infantino dentro da entidade máxima do futebol.
A reação expôs uma tensão importante entre a busca por novas fontes de receita e a necessidade de preservar a confiança das confederações, federações e demais partes envolvidas. Para Infantino, a saída agora passa por demonstrar abertura ao diálogo e criar mecanismos que permitam uma consulta mais ampla antes de decisões consideradas estruturantes para o calendário e o modelo econômico do esporte.
O que muda na proposta de revisão
A avaliação independente sugerida pelo dirigente deve analisar os processos decisórios da FIFA, especialmente em projetos de grande impacto. A ideia é fortalecer a transparência, ampliar a participação das federações e reduzir ruídos em temas sensíveis, evitando que propostas sejam percebidas como imposições vindas diretamente da cúpula da entidade.
A medida, porém, não significa o fim imediato das críticas. As federações tendem a observar se a revisão será apenas pontual ou se resultará em mudanças concretas na condução de projetos futuros. O teste de credibilidade será verificar se a FIFA conseguirá conciliar ambição comercial, segurança institucional e respeito ao tempo de debate de seus membros.
Eleição de 2027 entra na equação
O movimento ocorre em um momento politicamente delicado, enquanto Infantino articula sua reeleição para março de 2027. A disposição para rever processos pode ser lida como uma tentativa de aliviar resistências, recompor alianças e mostrar capacidade de adaptação diante de um cenário em que a governança da entidade voltou ao centro das atenções.
Agora, o próximo passo será acompanhar a resposta das federações à proposta e a definição dos critérios da avaliação independente. O episódio deixou claro que qualquer grande transformação no futebol internacional dependerá não apenas de números e contratos, mas também de legitimidade, escuta e coordenação política dentro da FIFA.




