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Grave falha diplomática de Washington fragiliza negociações bilaterais sobre minerais críticos com o Brasil

João Oliveira
2 de julho de 2026 às 06:05
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Grave falha diplomática de Washington fragiliza negociações bilaterais sobre minerais críticos com o Brasil
Divulgação / DayNews
© Ricardo Stuckert/PR

Minuta do Departamento de Estado Norte-Americano com Erros Crassos de Redação é Interpretada como Desinteresse Estratégico por Brasília

 

O processo de aproximação diplomática entre Brasília e Washington para o estabelecimento de uma parceria estratégica no setor de mineração sofreu um severo retrocesso. Um documento oficial confeccionado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, cujo propósito era lançar as bases para um memorando de entendimento focado em terras raras e minerais de alta relevância industrial, converteu-se em um foco de mal-estar bilateral. A documentação enviada às autoridades brasileiras continha erros formais graves de redação, nos quais o país foi referenciado de maneira genérica e incorreta.

Na proposta elaborada pela diplomacia americana, constavam menções explícitas e literais à expressão “country X”, que posteriormente receberam rasuras para a inserção tardia do nome do Brasil. O equívoco mais contundente ocorreu em um parágrafo isolado, onde, por um manifesto erro de revisão estrutural, a denominação oficial do território brasileiro foi substituída por “Equador”. Nos bastidores do Ministério das Relações Exteriores e da comitiva negociadora brasileira, o episódio foi recebido com profundo descontentamento, sendo interpretado como um indício fático da ausência de empenho da gestão de Donald Trump em estruturar uma cooperação bilateral sob a égide do benefício mútuo.

O Contexto das Tratativas e as Assinaturas de Fevereiro

As negociações haviam sido impulsionadas no início deste ano, culminando em uma grande conferência setorial realizada em Washington no dia 4 de fevereiro. O evento reuniu representantes de 54 nações com o objetivo de discutir o futuro das cadeias globais de suprimento mineral e assegurar canais de abastecimento para o parque fabril dos Estados Unidos. Contudo, as máculas formais presentes na minuta norte-americana, enviadas ao Palácio do Itamaraty semanas antes da reunião, inviabilizaram uma convergência imediata.

Enquanto o Brasil optou pela cautela e congelou o avanço do acordo, o Departamento de Estado norte-americano logrou êxito em firmar memorandos de cooperação com 11 países da região e de outros continentes, figurando entre os signatários nações vizinhas como a Argentina, o Paraguai e o próprio Equador. Integrantes da alta administração do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que Washington adotou um modelo genérico de proposta, fundamentado no pragmatismo mecânico do “corta e cola”. Tal postura ignorou por completo a relevância geopolítica do mercado brasileiro, que atualmente detém a segunda maior reserva de terras raras do globo, situando-se atrás apenas do território chinês.

A Fragilidade Jurídica do Mecanismo Proposto

Além do ruído diplomático gerado pelas falhas de nomenclatura, o cerne jurídico da proposta americana também foi alvo de severas restrições técnicas por parte dos assessores da Presidência da República. A equipe governamental identificou que os termos propostos por Washington fixavam uma “non-binding nature” para o tratado. Na prática, o dispositivo desproveria o memorando de qualquer validade jurídica vinculante, dispensando a sua ratificação pelas leis domésticas ou por códigos internacionais. Para analistas de Brasília, a fragilidade jurídica do texto faria com que o instrumento operasse puramente como uma ferramenta de constrangimento e pressão política em eventuais contenciosos futuros.

Paralelamente, o Itamaraty conduzia uma articulação mais robusta com o Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR). Essa vertente de diálogo, de caráter essencialmente técnico, buscava um aprofundamento real das salvaguardas comerciais, ventilando inclusive mecanismos complexos como a estipulação de patamares de preços mínimos para o fornecimento externo de terras raras brasileiras.

A Aquisição da Serra Verde e o Esfriamento do Diálogo

Essas tratativas técnicas com o USTR, no entanto, sofreram uma paralisia abrupta após uma mudança de cenário no ambiente de negócios privados. A evolução das conversas bilaterais foi interrompida com a consolidação da venda da mineradora brasileira Serra Verde para o consórcio norte-americano USA Rare Earth. O negócio de grande vulto, anunciado em abril, envolveu cifras estimadas em US$ 2,8 bilhões.

Sediada no município de Minaçu, no estado de Goiás, a Serra Verde consolida-se como a única operação de mineração em solo brasileiro que já se encontra em estágio efetivo de produção comercial desses elementos minerais estratégicos. Juntamente com a venda de seu controle acionário, a companhia firmou um robusto contrato de offtake, garantindo o fornecimento direcionado e exclusivo de sua produção para o mercado corporativo dos Estados Unidos pelo período contínuo de 15 anos. Sob a ótica de funcionários do corpo diplomático brasileiro, o atendimento direto das necessidades de suprimento privado das indústrias americanas esvaziou o apetite e o ímpeto regulatório do USTR para prosseguir com a celebração de um acordo bilateral de Estado.