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EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho; etanol e outros setores na mira

João Oliveira
16 de julho de 2026 às 06:14
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EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho; etanol e outros setores na mira

FOTO: EFE/EPA/CHRIS KLEPONIS /POOL

A sobretaxa sobre as importações brasileiras será implementada a partir do dia 22 de julho

O governo dos Estados Unidos formalizou ontem (15/07), a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho de 2026. A decisão, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) — liderado pelo embaixador Jamieson Greer e endossada pelo presidente Donald Trump — baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a Washington retaliar práticas comerciais julgadas ‘injustas’, ‘irracionais’ ou ‘discriminatórias’.

Retaliação abrangente: sete áreas sob investigação

Segundo o USTR, a investigação conduzida identificou sete frentes onde as políticas brasileiras estariam prejudicando interesses comerciais americanos. Entre os principais pontos destacados estão:

  • Comércio agrícola e etanol: Restrições consideradas desleais ao acesso de produtos como etanol e outras commodities ao mercado brasileiro.
  • Serviços digitais e pagamentos eletrônicos: Barreiras regulatórias que, segundo os EUA, prejudicam empresas americanas de tecnologia e fintechs.
  • Tarifas preferenciais e propriedade intelectual: Acusações de concessão de vantagens comerciais indevidas e enfraquecimento na proteção de direitos autorais e patentes.
  • Combate à corrupção: Alegação de que o Brasil teria reduzido esforços no enfrentamento de práticas corruptas, afetando negócios americanos.
  • Desmatamento ilegal: Argumento de que a falta de controle ambiental estaria distorcendo o comércio de commodities agrícolas.

Impactos imediatos e setores afetados

A lista de produtos brasileiros sujeitos à tarifa de 25% inclui, além do etanol, uma ampla gama de itens como:

  • Carnes e derivados;
  • Produtos siderúrgicos e metalúrgicos;
  • Calçados e têxteis;
  • Automóveis e autopeças;
  • Bebidas e sucos;
  • Máquinas e equipamentos industriais.

Segundo análises preliminares do Ministério da Economia brasileiro, a medida pode reduzir as exportações nacionais para os EUA em até US$ 2,5 bilhões anuais, representando um golpe significativo para setores já pressionados por custos logísticos e competitividade global.

Reações e possíveis desdobramentos

A decisão dos EUA gerou reações imediatas do governo brasileiro, que classificou a tarifa como ‘protecionista’ e anunciou a intenção de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a medida. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a medida ‘viola acordos comerciais internacionais’ e que o Brasil está preparado para adotar contra-medidas assimétricas.

Analistas do mercado internacional destacam que a imposição da tarifa em plena temporada de colheita agrícola brasileira — especialmente no setor sucroenergético — pode agravar a já delicada situação de estoques mundiais de açúcar e etanol, além de elevar os preços de produtos como carne e aço nos Estados Unidos. A medida também reforça a tendência de fragmentação do comércio global, com crescente adoção de barreiras não-tarifárias.