Na última quarta-feira, 26 de agosto de 2026, o Brasil registrou um marco histórico na transparência corporativa sobre emissões de gases de efeito estufa. Pelo segundo ano consecutivo, o Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHG) — mantido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) — bateu recorde de adesão, com 757 empresas participantes, um crescimento de 12% em relação ao ciclo anterior, quando 670 organizações reportaram dados referentes a 2024.
Inventários de 2025 revelam alta de 213 milhões de toneladas de CO₂ equivalente
O salto no número de empresas engajadas no PBGHG não apenas reflete uma tendência global de maior responsabilidade ambiental, mas também impulsionou o volume total de emissões registradas na plataforma. No escopo 1 — que inclui as emissões diretas das atividades empresariais — as 757 organizações reportaram um total de 213 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025. Esses números, disponibilizados na plataforma Registro Público de Emissões da FGV, serão oficialmente apresentados na tarde desta quarta-feira, consolidando o Brasil como um dos líderes em transparência de dados climáticos no setor privado.
Pressão regulatória e compromissos ESG impulsionam adesão
O crescimento expressivo no número de participantes do programa está diretamente ligado a uma combinação de fatores: desde a implementação de políticas públicas mais rígidas até a crescente cobrança por parte de investidores e consumidores por práticas sustentáveis. Empresas de diversos setores, incluindo energia, indústria e agropecuária, passaram a priorizar a mensuração e divulgação de suas emissões como estratégia de compliance e diferenciação de mercado. Especialistas destacam que a transparência, embora ainda incipiente em algumas cadeias produtivas, é um passo fundamental para o cumprimento das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Desafios persistem na mensuração de emissões indiretas
Apesar do avanço no escopo 1, o desafio de mapear emissões indiretas — classificadas como escopo 2 (consumo de energia elétrica) e escopo 3 (cadeia de valor) — ainda representa uma lacuna significativa. Enquanto o escopo 2 deve ser incluído no relatório de 2026, o escopo 3, que abrange desde o transporte de mercadorias até o uso final dos produtos, continua sendo o maior obstáculo para muitas empresas. A dificuldade técnica e a falta de padronização internacional são apontadas como principais barreiras para uma mensuração precisa.
FGV reforça papel da plataforma como ferramenta de política pública
A Fundação Getulio Vargas, responsável pela gestão do PBGHG, enfatiza que a base de dados não apenas auxilia empresas na gestão de riscos climáticos, mas também serve como instrumento para a formulação de políticas públicas. A plataforma, que há mais de uma década acompanha a evolução das emissões corporativas, tem se tornado um termômetro para a efetividade de iniciativas como o mercado de carbono e a taxação de emissões. Para 2027, a expectativa é que o número de participantes ultrapasse a marca de 800 empresas, sinalizando uma aceleração na agenda ESG no país.



