A três dias do encerramento da votação no Peru, a apuração dos votos segue em ritmo acelerado, com os principais candidatos travando uma batalha apertada pelo Palácio de Governo. Enquanto as urnas selam destinos, testemunhos como o de Maria Huamán, 42 anos, moradora de uma comunidade rural nos Andes, ecoam a insatisfação generalizada com a classe política tradicional.
A voz das comunidades esquecidas
Huamán, que trabalha em uma cooperativa agrícola familiar, expressou em entrevista exclusiva à ClickNews a esperança de que a nova liderança abandone o distanciamento dos gabinetes para enfrentar, literalmente, os lamaçais das estradas que cortam sua região. “Os presidentes anteriores não se lembravam de lugares como o nosso, das encostas onde vivemos, das necessidades que temos”, afirmou, enquanto mostrava fotos antigas do pai, um ativista local que percorria a pé as comunidades para levar demandas ao governo.
Disputa eleitoral sob pressão social
O segundo turno das eleições presidenciais peruanas, realizado em 7 de junho de 2026, ocorre em um contexto de crescente polarização e protestos recorrentes contra a corrupção e a desigualdade. Segundo dados do JNE (Jurado Nacional de Elecciones), 68% dos votos já foram apurados, com uma diferença inferior a 2 pontos percentuais entre os dois candidatos principais. Analistas políticos ouvidos pela ClickNews destacam que a eleição reflete uma demanda por “um presidente que caminhe junto ao povo”, como definiu a economista Keiko Fujimori em seu último discurso de campanha.
O que está em jogo: reformas ou continuísmo?
Os candidatos restantes na disputa, ambos ex-membros do Congresso, representam visões opostas: um defende a manutenção de políticas de austeridade fiscal com foco no crescimento econômico, enquanto o outro propõe um pacote de investimentos em infraestrutura rural e saúde pública. “Não queremos mais presidentes que falem, mas que façam”, resumiu Huamán, cuja comunidade depende majoritariamente da agricultura de subsistência. Com a apuração prevista para ser concluída até quarta-feira, 10 de junho, o Peru aguarda um desfecho que pode redefinir sua trajetória política nos próximos cinco anos.


