A proximidade do período eleitoral evidencia um paradoxo na formulação de políticas públicas: enquanto temas como terras-raras, tarifas comerciais americanas e exploração petrolífera na Margem Equatorial ganham espaço no debate, questões estruturais como a educação permanecem marginalizadas. Embora a inclusão de pautas econômicas e geopolíticas seja louvável, trata-se de uma abordagem incompleta, pois negligencia o alicerce necessário para qualquer avanço nacional — a qualificação da população.
Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) revelam uma deterioração progressiva na qualidade do ensino ao longo das etapas educacionais. Enquanto os anos iniciais apresentam resultados relativamente estáveis, os avanços não são sustentados nas fases subsequentes, resultando em formandos do ensino médio incapazes de atender às demandas da economia moderna. Essa lacuna não apenas limita o acesso ao ensino superior, como também perpetua ciclos de baixa produtividade e competitividade internacional.
A própria estrutura do ensino superior brasileiro enfrenta desafios estruturais. Instituições de ensino superior, muitas vezes cerceadas por amarras corporativistas e modelos pedagógicos defasados, não conseguem acompanhar as necessidades dinâmicas do mercado. A observação de Miguel de Almeida sobre a contaminação da sociedade pelo cumprimento de cotas, embora controversa, reflete a complexidade de um sistema educacional que, apesar de avanços pontuais, ainda não conseguiu equacionar qualidade, equidade e eficiência.
Sem uma reforma educacional robusta e integrada a políticas industriais, monetárias e redistributivas, o Brasil seguirá em descompasso com as exigências de uma economia globalizada. A ausência desse debate nas plataformas eleitorais não é apenas uma omissão temática, mas um risco iminente ao desenvolvimento socioeconômico do país.

