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El Niño pode atingir intensidade recorde em quatro décadas, alerta OMM

João Oliveira
4 de setembro de 2026 às 06:05
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El Niño pode atingir intensidade recorde em quatro décadas, alerta OMM

No final do ano, é comum atingirmos o ápice do calor intenso. Foto: AFP

Fenômeno deve alcançar o pico até o fim do ano e ampliar riscos de calor extremo, secas e inundações em diferentes regiões

O atual episódio de El Niño pode alcançar uma intensidade sem precedentes desde o início do monitoramento sistemático do fenômeno climático, há cerca de 40 anos. O alerta foi divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê impactos relevantes sobre os padrões de temperatura e precipitação em várias partes do planeta.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do centro e do leste do Pacífico equatorial. Essa alteração na temperatura dos oceanos interfere na circulação atmosférica e pode modificar o regime de chuvas, favorecer ondas de calor e aumentar a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões.

“O El Niño está se tornando gigante diante dos nossos olhos”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacando que “o mundo está na zona de perigo do clima extremo”.

A OMM também advertiu para a possibilidade de agravamento dos efeitos do fenômeno nos próximos meses. “O El Niño vai se intensificar até se tornar uma preocupação muito forte nos próximos meses, com grandes impactos nos padrões de eventos e temperatura, além de riscos associados a inundações, secas e calor extremo”, afirmou a agência da ONU.

América Latina já sente os efeitos

Na América Latina, os impactos do El Niño já provocaram medidas emergenciais. Países como Panamá e El Salvador decretaram estado de emergência diante das consequências relacionadas ao fenômeno.

No Panamá, a redução do nível de água disponível afetou a operação do Canal do Panamá e levou à diminuição do tráfego de embarcações. A situação evidencia como as alterações provocadas pelo fenômeno podem atingir não apenas o clima, mas também atividades econômicas e sistemas de infraestrutura considerados estratégicos.

Segundo a OMM, o El Niño deverá chegar à sua intensidade máxima até o fim deste ano. Entretanto, os efeitos mais significativos sobre as condições climáticas podem se prolongar e ser percebidos principalmente ao longo de 2027.

A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, afirmou que o episódio pode superar os registros das últimas décadas. O fenômeno “pode ser mais potente que tudo o que foi observado desde que começamos nosso monitoramento” há quatro décadas.

Embora o El Niño seja um fenômeno natural e não tenha como causa direta as mudanças climáticas provocadas pela atividade humana, especialistas alertam que seu surgimento ocorre em um planeta que já registra temperaturas elevadas em razão do aumento da concentração de gases de efeito estufa.

Nesse cenário, o aquecimento provocado pelo El Niño pode contribuir para elevar ainda mais as temperaturas globais e intensificar eventos meteorológicos extremos.

Aquecimento dos oceanos prolonga impactos

O período de maior intensidade do El Niño costuma ocorrer próximo ao fim do ano. O calor acumulado nos oceanos, porém, não é transferido imediatamente para a atmosfera. Esse processo gradual contribui para que os efeitos sobre as temperaturas globais continuem nos meses seguintes.

O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, em um período que também foi marcado pelos efeitos do último El Niño. A expectativa de um novo episódio de grande intensidade aumenta, portanto, a preocupação de pesquisadores e autoridades diante da possibilidade de novos recordes de temperatura.

“Esse El Niño excepcional tem o potencial de provocar um golpe devastador nas comunidades e economias de todo o mundo”, afirmou Celeste Saulo. “Já estamos vendo perturbações e devastação causadas por secas e inundações. Esperamos que os impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica”, avaliou.

Fenômeno ocorre em ciclos

O El Niño integra um sistema climático natural que alterna períodos de aquecimento e resfriamento das águas do Pacífico equatorial. Os episódios costumam ocorrer em intervalos de dois a sete anos e, em geral, permanecem ativos por nove a 12 meses.

O fenômeno faz parte do ciclo conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que também inclui a La Niña, caracterizada pelo resfriamento das águas superficiais do Pacífico equatorial. Entre os dois eventos, podem ocorrer períodos de condições consideradas neutras.

De acordo com a OMM, a possibilidade de manutenção do episódio atual é excepcionalmente alta. A organização estima uma “probabilidade extraordinariamente elevada, próxima de 100%” de que o El Niño continue atuando até fevereiro.

(Com Correio Braziliense)

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