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Política

Dr. João quer transformar transplantes em prioridade e ampliar cirurgias em Mato Grosso

Redação
27 de setembro de 2026 às 18:24
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Dr. João quer transformar transplantes em prioridade e ampliar cirurgias em Mato Grosso

Reprodução

Nefrologista que participou do primeiro transplante renal realizado no estado, deputado defende ampliar captação de órgãos, cirurgias com doadores falecidos e estrutura própria para reduzir envio de pacientes a outros estados

Mais de três décadas depois de participar do primeiro transplante renal realizado em Mato Grosso, o deputado estadual e médico nefrologista Dr. João (MDB) pretende colocar a expansão dos transplantes entre as principais pautas de um eventual novo mandato na Assembleia Legislativa.

A proposta é avançar além da retomada do serviço renal e ampliar a capacidade do estado de captar, receber e transplantar órgãos. Entre as prioridades apontadas pelo parlamentar estão o aumento das cirurgias com doadores falecidos, o fortalecimento das equipes locais e a realização de campanhas permanentes de conscientização sobre doação de órgãos.

Para Dr. João, Mato Grosso já deu passos importantes na reconstrução desse atendimento, mas ainda precisa converter a estrutura existente em um número maior de transplantes realizados dentro do próprio estado.

“Eu luto por isso desde o meu primeiro mandato. Trabalhei para trazer de volta os transplantes, mas não basta retomar no papel. A população não pode doar órgãos aqui e ver esses órgãos salvarem vidas apenas fora de Mato Grosso. Temos condições, temos estrutura e temos profissionais”, afirmou.

Uma relação de mais de três décadas com os transplantes

A ligação de Dr. João com a área começou muito antes de sua entrada na vida parlamentar.

Em abril de 1992, no Hospital Geral, em Cuiabá, o nefrologista integrou a equipe responsável pelo primeiro transplante renal da história de Mato Grosso. A cirurgia marcou o início de uma nova etapa da medicina de alta complexidade no estado.

Ao longo dos anos seguintes, outros procedimentos foram realizados, até que o serviço enfrentou períodos de interrupção.

Já na Assembleia Legislativa, onde iniciou seu primeiro mandato em 2019, Dr. João passou a defender a retomada dos transplantes e a cobrar uma estrutura permanente para atender pacientes renais sem a necessidade de encaminhamento para outros estados.

“Isso aqui dói meu coração. Eu sou nefrologista. Eu fiz o primeiro transplante renal da história desse Estado, em 1992. De lá para cá nós fizemos um monte. Depois parou, agora foi retomada. Mas está muito lento”, declarou durante pronunciamento no Legislativo no fim de 2025.

Retomada abriu caminho para nova fase

Depois de anos sem transplantes renais regulares pelo Sistema Único de Saúde em Mato Grosso, o serviço foi reorganizado e voltou a funcionar.

Em setembro de 2024, o Estado assinou a ordem de serviço para restabelecer os procedimentos no Hospital São Mateus, em Cuiabá. As cirurgias foram retomadas em março de 2025.

Segundo dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde, o programa passou a contar com investimento anual superior a R$ 19 milhões.

A retomada permitiu que pacientes voltassem a ser transplantados em Mato Grosso, mas Dr. João defende que o programa avance para uma etapa de maior escala e diversificação.

Doação de órgãos entra no centro da estratégia

Um dos principais obstáculos para o crescimento do número de transplantes, segundo o parlamentar, está na quantidade de doadores efetivos.

Por isso, Dr. João pretende ampliar campanhas de conscientização dirigidas especialmente às famílias, responsáveis pela autorização da retirada de órgãos após a morte.

A legislação brasileira determina que a doação de órgãos de uma pessoa falecida somente pode ser realizada mediante consentimento familiar, ainda que o potencial doador tenha manifestado em vida sua vontade de doar.

Em julho de 2026, o deputado reuniu representantes da comunicação da Assembleia Legislativa para discutir uma mobilização estadual sobre o tema.

“Quando um órgão é doado, uma família transforma um momento de dor em esperança para outra pessoa. Precisamos tratar esse tema com sensibilidade, informação e responsabilidade, porque a doação tem o poder de salvar vidas”, afirmou.

Em casos de morte encefálica, um único doador pode beneficiar diferentes pacientes por meio da doação de rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas e outros tecidos, desde que haja autorização familiar e condições clínicas para o aproveitamento dos órgãos.

Mato Grosso já dispõe de profissionais capacitados

A estratégia defendida pelo parlamentar também passa pelo fortalecimento das equipes formadas dentro do estado.

Em 2025, mais de 400 profissionais participaram de 13 capacitações relacionadas ao processo de doação e transplante de órgãos e tecidos em Mato Grosso.

O estado também habilitou pela primeira vez uma equipe própria para realizar captação de múltiplos órgãos, reduzindo a necessidade de mobilizar profissionais de outras unidades da Federação.

Em 2026, procedimentos de captação já passaram a contar integralmente com equipes locais, incluindo profissionais ligados ao Hospital São Mateus e aos serviços especializados em tecidos oculares.

Para Dr. João, esse avanço técnico precisa resultar em maior quantidade de órgãos transplantados em pacientes mato-grossenses.

“Os transplantes estão acontecendo em Mato Grosso, mas ainda em ritmo abaixo do necessário. Precisamos estimular a doação e, ao mesmo tempo, corrigir alguns pontos importantes do processo”, disse.

Números revelam distância entre captação e transplante

Os dados de 2025 mostram o tamanho do desafio.

Ao longo daquele ano, Mato Grosso realizou sete transplantes renais. Seis utilizaram órgãos de doadores vivos aparentados e apenas um ocorreu a partir de doador falecido.

No mesmo período, a Central Estadual de Transplantes realizou 17 captações de múltiplos órgãos. Foram retirados 42 órgãos, entre 28 rins, 12 fígados e dois corações.

Em 2026, as captações continuaram. Até maio, o estado já havia realizado a sexta captação de múltiplos órgãos do ano, com procedimentos ocorrendo também fora da capital, incluindo Nova Mutum.

A diferença entre o volume captado e a quantidade de transplantes realizados em Mato Grosso é justamente um dos pontos que Dr. João pretende enfrentar.

Mais transplantes podem reduzir dependência do TFD

A ampliação da estrutura transplantadora também pode diminuir o número de pacientes encaminhados para outros estados por meio do Tratamento Fora de Domicílio.

O TFD é utilizado quando determinado atendimento de alta complexidade não está disponível na rede estadual. Nesses casos, o poder público assume despesas relacionadas ao deslocamento, alimentação e permanência do paciente e, quando necessário, de um acompanhante.

Além do custo para o Sistema Único de Saúde, a necessidade de tratamento longe de casa impõe dificuldades adicionais a pacientes submetidos a terapias prolongadas e procedimentos de alta complexidade.

Com uma rede transplantadora mais ampla, parte desse atendimento poderia ocorrer em Mato Grosso, permitindo que avaliação, cirurgia e acompanhamento pós-operatório fossem realizados mais próximos da família.

Próximo passo é ampliar modalidades

Atualmente, o Hospital São Mateus está habilitado para a realização de transplantes renais. Paralelamente, a Secretaria de Estado de Saúde avançou em medidas para ampliar os procedimentos oferecidos no estado, incluindo iniciativas voltadas ao transplante hepático.

Para Dr. João, a consolidação dessa estrutura deve ocorrer de forma simultânea ao fortalecimento da captação e à conscientização da sociedade.

“Estamos satisfeitos com a retomada, mas sabemos que ainda há muito a fazer. Nosso objetivo é oferecer esperança, atendimento e dignidade às pessoas que aguardam por um órgão em Mato Grosso”, afirmou.

A proposta defendida pelo deputado para os próximos anos é transformar a retomada dos transplantes em uma política permanente, com aumento das cirurgias, maior aproveitamento dos órgãos captados no estado e menor dependência de centros transplantadores de outras regiões do país.

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