O dólar abriu em acentuada queda nesta segunda-feira (5 de outubro de 2026), negociando abaixo do patamar de R$ 5 pela primeira vez desde abril deste ano. A movimentação cambial é atribuída ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4), que reforçou entre os agentes do mercado financeiro a expectativa de uma possível alternância de poder na Presidência da República.
Por volta das 9h20, a divisa americana recuava 4,59%, cotada a R$ 4,975. Em seu menor valor no dia, o dólar chegou a atingir R$ 4,973, uma desvalorização de 4,66%. O cenário eleitoral, com o ex-senador Flávio Bolsonaro (PL) liderando o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, seguido por Lula (PT), atual presidente, com 45,16%, sinaliza a necessidade de um segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.
Reação do mercado financeiro e expectativas futuras
Analistas de mercado ouvidos pela reportagem indicam que a Bolsa de Valores também deve apresentar um desempenho positivo nesta segunda-feira. A disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno é vista por parte dos investidores como um fator que pode levar a uma condução fiscal mais sólida em um eventual novo governo. Essa percepção de maior controle sobre a trajetória da dívida pública é interpretada como um elemento redutor do risco associado aos ativos brasileiros, incentivando a entrada de capital estrangeiro e a valorização da moeda nacional.
Impacto da alternância de poder na percepção de risco
A possibilidade de uma alternância de poder na Presidência da República tem sido um dos fatores determinantes na precificação dos ativos brasileiros. Uma gestão fiscal considerada mais prudente e previsível por parte de um novo governo pode mitigar preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública e a inflação, elementos cruciais para a atração de investimentos de longo prazo. A queda do dólar reflete essa reavaliação de risco pelos investidores, que buscam maior segurança e rentabilidade em economias emergentes.
Historicamente, a disputa eleitoral em segundo turno tem sido um período de volatilidade para os mercados. No entanto, a consolidação de um cenário que aponta para uma maior disciplina fiscal, independentemente do candidato vencedor, tende a gerar um ambiente mais favorável para a economia. A reação imediata do mercado ao resultado do primeiro turno sugere que a maioria dos agentes econômicos já precificou a possibilidade de uma mudança na condução do país, buscando se posicionar de forma a se beneficiar das novas dinâmicas que podem surgir.




