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Diagnóstico tardio agrava casos de câncer de cabeça e pescoço

João Oliveira
25 de agosto de 2026 às 14:12
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Diagnóstico tardio agrava casos de câncer de cabeça e pescoço

Foto: Agência Einstein

Cerca de 80% dos tumores são identificados em fases avançadas no Brasil, reduzindo as chances de cura

Diagnóstico ainda é tardio

Cerca de 80% dos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil são descobertos em estágios avançados, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A demora está associada à ausência de sintomas no início da doença, à desinformação e à confusão com problemas comuns, como dor de garganta, aftas e rouquidão. 1519

“São vários fatores que explicam essa proeminência dos diagnósticos tardios no Brasil”, observa o cirurgião Renan Bezerra Lira, do Einstein Hospital Israelita. “Além disso, há bastante desinformação ou falta de conscientização sobre essa doença tanto na população como entre profissionais de saúde”, completa Lira.

“Em muitos casos, os sintomas iniciais são confundidos com problemas de saúde mais simples, como dor de garganta, afta ou rouquidão”, afirma o médico Carlos Eduardo Santa Ritta Barreira, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

HPV está entre os riscos

Os principais fatores associados à doença são tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, exposição solar sem proteção, contato com solventes, poeira de madeira e radiação. Histórico familiar e alguns fatores hereditários também podem contribuir para o surgimento de determinados tumores.

O HPV é considerado um dos principais fatores de risco para cânceres da boca e da garganta. A vacinação é oferecida gratuitamente na rede pública para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. O uso de preservativos, inclusive nas relações sexuais orais, também é recomendado.

“O câncer de cabeça e pescoço que mais cresceu em incidência nos últimos anos foi o carcinoma de orofaringe, a parte da garganta onde estão as amígdalas, a campainha e parte de trás da língua”, relata Renan Lira. “Esse tipo de tumor está muito relacionado ao vírus HPV, é uma doença que praticamente não dá sintomas nas fases iniciais e pode acometer adultos jovens sem fatores de risco aparentes.”

O carcinoma de orofaringe tem avançado entre homens de 40 a 60 anos, inclusive entre aqueles sem histórico de tabagismo. Já os diagnósticos de câncer de tireoide aumentaram principalmente entre mulheres de 30 a 60 anos, movimento também relacionado à evolução dos exames.

“Agora temos exames de imagem mais refinados para a detecção de nódulos pequenos que nos permitem interceder mais cedo”, afirma Barreira.

Sinais exigem atenção

Na boca, os sinais de alerta incluem feridas ou aftas que não cicatrizam em duas semanas, manchas brancas ou vermelhas, caroços, sangramento persistente, dentes que ficam moles sem causa aparente e próteses que deixam de se encaixar corretamente.

Na garganta e no pescoço, é importante observar rouquidão por mais de três semanas, dor persistente, dificuldade para engolir, sensação de algo preso e caroços que não diminuem. Obstrução nasal ou sangramento contínuo também devem ser investigados.

Qualquer alteração que persista por mais de 15 dias merece avaliação médica. “Quem apresentar esses sintomas deve procurar assistência médica e, caso o quadro persista sem diagnóstico ou melhora, insistir em uma reavaliação”, recomenda o médico do Einstein.

Tratamentos evoluíram

A identificação precoce amplia as possibilidades de cura e pode reduzir a necessidade de tratamentos agressivos. Nos últimos anos, as cirurgias se tornaram mais precisas e menos invasivas, com destaque para procedimentos robóticos.

O avanço tecnológico também diminuiu, em alguns casos, a necessidade de reconstruções extensas após a retirada dos tumores e de quimioterapia ou radioterapia complementar. Pesquisas recentes buscam ainda identificar biomarcadores capazes de detectar tumores agressivos com mais rapidez, mas especialistas ressaltam que a conscientização da população e a capacitação dos profissionais continuam essenciais. 1510

(Fonte: Agência Einstein)