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Cicatrizes de guerra: famílias do Irã ainda choram crianças mortas em ataque a escola

Redação
28 de agosto de 2026 às 13:15
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Cicatrizes de guerra: famílias do Irã ainda choram crianças mortas em ataque a escola

Foto: AMIRHOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP

Bombardeio em Minab matou mais de 175 crianças, adolescentes e educadores; investigação preliminar apontou possível participação de forças americanas, mas circunstâncias permanecem sem esclarecimento definitivo

Seis meses depois do ataque que destruiu uma escola em Minab, no Irã, familiares das vítimas ainda enfrentam as consequências de uma das tragédias mais graves registradas no início do conflito armado na região. O bombardeio, ocorrido em 28 de fevereiro de 2026, deixou mais de 175 mortos, entre crianças, adolescentes e profissionais da educação, segundo autoridades iranianas.

O local, que fazia parte da rotina diária de estudantes e professores, foi transformado em ruínas em poucos instantes. Desde então, para dezenas de famílias, a passagem do tempo não foi suficiente para reduzir o impacto das perdas nem para encerrar as dúvidas sobre quem foi responsável pelo ataque.

Identificação por DNA confirmou morte de criança

Entre as vítimas estava Mohammad Taha Jafari, de 10 anos. Seu pai, Masoud Jafari, relatou que chegou à escola acreditando que encontraria o filho ao fim de mais um dia comum.

‘Eu cheguei ao local achando que iria buscá-lo, como fazia todos os dias. Só percebi a dimensão do horror quando vi os escombros e soube que ele não voltaria’, desabafou o pai, com a voz embargada.

A destruição provocada pelo bombardeio dificultou a identificação de algumas vítimas. O corpo de Mohammad não pôde ser reconhecido inicialmente por fotografias e somente teve a identidade confirmada semanas mais tarde, após exames de DNA.

Escola se tornou símbolo da devastação

A dimensão da tragédia extrapolou os limites de Minab. Dados divulgados pelas autoridades do Irã indicam que mais de 175 pessoas ligadas à comunidade escolar perderam a vida naquele dia.

O prédio, antes destinado às atividades de ensino, passou a representar para os moradores as consequências humanas do conflito. Parte da estrutura já foi reconstruída, mas, para as famílias, os danos mais profundos permanecem distantes de qualquer reparação.

Circunstâncias do ataque seguem sob questionamento

A responsabilidade pelo bombardeio ainda é objeto de debate. Relatórios preliminares de uma investigação militar dos Estados Unidos, divulgados em março, indicaram a possibilidade de envolvimento de forças americanas no episódio.

Desde então, porém, não houve pronunciamento oficial conclusivo sobre as circunstâncias do ataque. A ausência de respostas mantém familiares mobilizados em busca de esclarecimentos e responsabilização.

Para Khadijeh Ahmadizadeh, mãe de outra criança morta na escola, a falta de informações prolonga o sofrimento causado pela perda.

‘Eles tiraram nossos filhos, mas também nos tiraram a paz. Como viver com essa incerteza?’.

Em Minab, a reconstrução física da escola contrasta com um processo de luto que permanece aberto. Para pais, parentes e sobreviventes, seis meses depois, a cobrança por respostas continua tão presente quanto a memória de quem não voltou para casa.