Ministério Público argentino aponta falhas graves no atendimento domiciliar ao ex-craque
Promotoria de San Isidro formaliza pedido de pena nesta quinta-feira
O Ministério Público de San Isidro, na Argentina, solicitou nesta quinta-feira (8) pena de 12 anos de prisão para o neurocirurgião Leopoldo Luque, responsável pela equipe médica que acompanhava Diego Maradona antes de sua morte, em novembro de 2020. Luque é o principal acusado no processo que investiga as circunstâncias do falecimento do ex-jogador, considerado um dos maiores ídolos da história do futebol mundial.
Médico responde por homicídio doloso com agravantes
A Promotoria sustenta que o profissional cometeu homicídio doloso, com agravantes ligados à sua responsabilidade profissional e à relação de confiança estabelecida com Maradona. O pedido foi apresentado pelo promotor Patricio Ferrari, que também requereu penas para outros profissionais envolvidos no atendimento ao ex-camisa 10 da seleção argentina.
Demais integrantes da equipe também têm penas solicitadas
Além dos 12 anos pedidos para Luque, o Ministério Público solicitou oito anos de prisão para Nancy Forlini, coordenadora da operadora de saúde Swiss Medical, e para Agustina Cosachov, psiquiatra responsável pelo acompanhamento de Maradona. Para o psicólogo Carlos Díaz, a acusação pediu cinco anos de reclusão. O enfermeiro Ricardo Almirón e o chefe de enfermagem Mariano Perroni tiveram pedidos de quatro anos de prisão, sob a acusação de homicídio culposo.
Acusação pede absolvição de Pedro Di Spagna
O Ministério Público também se manifestou pela absolvição do médico Pedro Di Spagna. Segundo o promotor, ele foi o único profissional que cumpriu adequadamente suas atribuições e não tinha poder de decisão sobre as condições da internação domiciliar do ex-jogador.
Promotor aponta desorganização na equipe responsável
Durante sua manifestação, Patricio Ferrari afirmou que o grupo encarregado dos cuidados de Maradona funcionava de maneira desorganizada, sem estrutura adequada de atendimento. De acordo com a acusação, os profissionais atuavam sem coordenação eficiente, apesar da gravidade do quadro clínico do ex-atleta. O promotor atribuiu a Luque a liderança dessa estrutura e sustentou que Maradona não recebeu a assistência necessária durante a recuperação. Para o Ministério Público, as falhas no acompanhamento médico contribuíram para o agravamento do estado de saúde do ex-jogador.
Residência não tinha equipamentos de emergência
Um dos principais pontos da acusação envolve as condições da casa onde Maradona permaneceu após a alta hospitalar. Segundo Ferrari, o imóvel não dispunha de equipamentos e recursos que deveriam estar disponíveis a um paciente em situação clínica delicada, como kit de primeiros socorros, desfibrilador e ambulância de prontidão. A Promotoria argumenta que a ausência dessa estrutura comprometeu a capacidade de resposta diante de uma eventual emergência. O órgão destacou ainda que o estado de saúde de Maradona exigia acompanhamento rigoroso, especialmente após a cirurgia realizada semanas antes.
Comissão médica considerou a morte evitável
A acusação recorreu às conclusões de uma Comissão Médica Interdisciplinar para sustentar que a morte poderia ter sido evitada. De acordo com a avaliação apresentada, Maradona enfrentava complicações clínicas graves e não recebeu assistência compatível com suas necessidades. Os especialistas apontaram que o falecimento não ocorreu de forma inesperada em uma pessoa previamente saudável, mas em um paciente cujo quadro exigia cuidados constantes. Para o Ministério Público, as condições do atendimento domiciliar foram insuficientes e contribuíram para o desfecho. Essas conclusões integram os elementos usados para pedir a responsabilização dos profissionais.
Ídolo morreu aos 60 anos após cirurgia no cérebro
Diego Armando Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em uma residência na Argentina. A morte foi atribuída a uma insuficiência cardíaca associada a um edema agudo de pulmão. Cerca de duas semanas antes, o ex-jogador havia sido submetido a uma cirurgia para a retirada de um hematoma subdural, caracterizado pelo acúmulo de sangue entre o cérebro e uma das membranas que o revestem. Depois do procedimento, passou a receber cuidados em regime de internação domiciliar, e as condições desse acompanhamento tornaram-se o centro das investigações sobre a responsabilidade dos profissionais de saúde.
Justiça argentina ainda decidirá sobre as acusações
Os pedidos de prisão apresentados representam a posição da acusação no processo e não constituem sentença definitiva. Caberá à Justiça argentina avaliar as provas, os argumentos da Promotoria e as manifestações das defesas antes de estabelecer eventual responsabilidade criminal. O caso continua mobilizando a Argentina e os admiradores de Maradona, cuja morte provocou comoção internacional.
Campeão mundial em 1986 marcou a história do futebol
Campeão mundial com a seleção argentina em 1986, o ex-jogador marcou a história do esporte por suas atuações com a camisa da Argentina, do Napoli e de outros clubes.




