DayNews
Notícias

Câncer de cabeça e pescoço: feridas que não cicatrizam e rouquidão persistente são sinais de alerta

Redacao
14 de julho de 2026 às 09:03
Compartilhar:
Câncer de cabeça e pescoço: feridas que não cicatrizam e rouquidão persistente são sinais de alerta

Foto: Getty Images

Sintomas que não podem ser ignorados na rotina clínica

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores de cabeça e pescoço incluem neoplasias na cavidade oral, língua, faringe, laringe, tireoide e seios da face. No entanto, os sinais iniciais muitas vezes são subestimados ou confundidos com condições benignas. A fonoaudióloga Camila Ferreira Molento, especialista em reabilitação oncológica, reforça que feridas na boca que não cicatrizam em até duas semanas, rouquidão persistente por mais de três semanas, dor ou dificuldade para engolir, alterações na voz, caroços no pescoço e perda de peso inexplicável são sintomas que exigem investigação imediata.

Fatores de risco: do tabagismo ao HPV

Os dados do INCA revelam que o tabagismo e o consumo crônico de álcool permanecem como os principais fatores de risco para os cânceres de cabeça e pescoço, responsáveis por até 75% dos casos. Nos últimos anos, entretanto, a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os tipos 16 e 18, tem ganhado relevância, sobretudo nos tumores de orofaringe. Estima-se que cerca de 30% dos casos de câncer de orofaringe estejam relacionados ao HPV, um vírus de transmissão sexual.

Embora a incidência desses tumores esteja historicamente associada a hábitos de vida, a vacinação contra o HPV — já incorporada ao calendário vacinal brasileiro para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos — representa uma estratégia preventiva crucial. A imunização pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de cânceres relacionados ao vírus na população adulta futura.

Tratamento além da remissão do tumor: a reabilitação como etapa essencial

Conforme destaca a fonoaudióloga Camila Molento, o manejo do câncer de cabeça e pescoço não se encerra com a remissão da doença. Reabilitação vocal, alimentar e psicológica tornam-se componentes críticos do tratamento, especialmente em casos que envolvem cirurgias extensas ou radioterapia. A perda da voz, disfagia (dificuldade para engolir) e alterações na aparência facial podem impactar severamente a qualidade de vida do paciente, exigindo abordagens multiprofissionais.

Segundo o INCA, a detecção precoce é determinante para a sobrevida. Enquanto tumores localizados apresentam taxas de cura superiores a 80%, casos avançados reduzem drasticamente as chances de tratamento bem-sucedido. Por isso, a conscientização sobre os sinais de alerta — mesmo fora do mês de junho — é fundamental para reduzir a mortalidade associada a essa doença.