Ofensiva atribuída aos rebeldes iemenitas provoca reação militar de Riad e atrai atenção dos Estados Unidos
Escalada letal na capital saudita
Um ataque de míssil contra o terminal aéreo internacional de Riad resultou em 12 vítimas fatais e 309 feridos. Atribuída aos rebeldes houthis do Iêmen, a ação é o episódio mais gravoso em nações do Golfo desde o deflagrar do conflito com o Irã. As autoridades locais responsabilizaram o grupo, que possui vínculos com Teerã, embora a autoria não tenha sido confirmada formalmente pelos insurgentes. A coalizão sob liderança saudita classificou a investida como “um crime de guerra” e garantiu que responderá “com firmeza”.
Ofensiva militar contra infraestrutura rebelde
Antecedendo o impacto na capital, a coalizão havia anunciado uma “operação em grande escala” voltada a debilitar o aparato militar dos rebeldes. O porta-voz do agrupamento, Turki al-Maliki, declarou na rede social X: “Estamos realizando operações em grande escala que visam os efetivos e as capacidades”. O representante destacou ainda que a coalizão “está empenhada em desmantelar e destruir a rede de mísseis balísticos” e “presta apoio aéreo 24 horas por dia às Forças Armadas do Iêmen”. A investida teria destruído 136 posições estratégicas dos iemenitas.
Paralisia no terminal e avaliação internacional
O míssil atingiu a estrutura civil durante a tarde. Diante da gravidade da situação, uma fonte diplomática salientou em entrevista: “Os houthis estão atacando alvos civis. O aeroporto de Riad é um alvo civil”. As operações de pouso e decolagem foram suspensas temporariamente para varreduras de segurança e mensuração dos estragos físicos no local.
Posição de Washington e repúdio da ONU
A perspectiva de intervenção direta norte-americana ganhou projeção após a ofensiva. O presidente Donald Trump comentou a possibilidade de participação das forças dos Estados Unidos nas ações contra os rebeldes: “É possível. Vamos analisar a situação. Acabamos de saber desse ataque recente, por isso tomaremos uma decisão. Estamos agindo muito rapidamente”. Simultaneamente, o enviado especial da ONU, Hans Grundberg, lamentou a sequência de bombardeios na região: “Isso se soma aos ataques realizados no início desta semana contra os aeroportos de Riad e Abha, que também causaram mortes e feridos entre a população civil. Esses ataques representam uma grave escalada”.
Reação de líderes globais e avanço estratégico
A soberania saudita recebeu apoio explícito do Paquistão, cujo primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, destacou na rede X: “Os ataques contra civis e infraestruturas essenciais são totalmente inaceitáveis e representam uma grave ameaça à paz e à estabilidade regionais”. A Liga Árabe denunciou o desrespeito às normas internacionais de aviação. O cenário decorre do colapso da trégua iemenita de 2022 e do recente avanço territorial dos houthis no oeste do país, ameaçando posições nas imediações do Mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb — via náutica crucial com o bloqueio do estreito de Ormuz.




