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Assembleia amplia diálogo com povos indígenas e lideranças destacam iniciativa pioneira de Max Russi

Missias
28 de agosto de 2026 às 11:07
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Assembleia amplia diálogo com povos indígenas e lideranças destacam iniciativa pioneira de Max Russi
Divulgação / ClickNews

Presidente da ALMT foi responsável pela criação da primeira Câmara Setorial Temática de Saúde Indígena do país e agora amplia o debate para temas como autonomia, geração de renda, empreendedorismo e etnoturismo

Lideranças de diferentes povos indígenas de Mato Grosso destacaram, durante reunião na Assembleia Legislativa (ALMT), as iniciativas conduzidas pelo presidente da Casa, deputado Max Russi (Podemos), para aproximar as comunidades originárias do Parlamento e ampliar sua participação na formulação de políticas públicas.

O encontro, realizado nesta terça-feira (25), na sala do Colégio de Líderes, reuniu representantes dos povos Boe Bororo, Balatiponé, Haliti-Paresi e Nambikwara. Entre os principais pontos abordados esteve a criação da Câmara Setorial Temática (CST) da Saúde Indígena, proposta por Russi e apontada pelas lideranças como uma experiência inédita no país.

Instituída em 2025, a CST encerrou suas atividades em julho deste ano, após cumprir o período regimental de funcionamento de 12 meses. O trabalho desenvolvido durante esse período serviu de base para uma nova iniciativa legislativa, agora com uma abordagem mais abrangente.

A proposta é dar continuidade ao diálogo por meio da CST Indígena, destinada a discutir não apenas questões relacionadas à saúde, mas também alternativas de desenvolvimento econômico e social para os povos originários, incluindo autonomia, empreendedorismo, geração de renda, agricultura indígena e etnoturismo.

Também participaram da reunião a presidente da CST Indígena, Paloma Velozo, e a diretora do Núcleo de Gestão Institucional e Assuntos Internacionais da ALMT, Taís Costa.

Lideranças apontam maior acesso ao Parlamento

O cacique Marcelo Manobaro, da Aldeia Galdino Pimentel, pertencente ao povo Boe Bororo, avaliou que a criação da Câmara Setorial proporcionou uma aproximação até então pouco comum entre as comunidades indígenas e o Poder Legislativo.

“É a primeira vez que um presidente da Assembleia recebe a nossa etnia. Alguns de nós estão pela primeira vez aqui na Assembleia. Tudo isso começou também a partir do projeto do deputado Max, que foi a CST. Poucas pessoas acreditaram, mas nós fomos uma das etnias que abraçaram essa causa”, afirmou.

Segundo Manobaro, a iniciativa também tornou mais acessível o encaminhamento de reivindicações das aldeias aos deputados estaduais.

“Vimos que, por meio da criação da CST, ficou mais fácil para os caciques de todas as regiões levarem suas demandas e prioridades. É uma coisa que não tem preço e nós só temos a agradecer”, completou.

A presidente da Associação das Mulheres Boe Bororo, Gilmira Manoreru, ressaltou a relação construída entre as comunidades indígenas e o presidente da Assembleia.

“Fico muito feliz em ouvir o deputado, porque vejo que ele realmente conhece a nossa realidade e está comprometido com a gente”, declarou.

Comunidades defendem continuidade dos canais de participação

Durante a reunião, o cacique-geral Ronildo, também representante do povo Boe Bororo, apresentou reivindicações das comunidades e defendeu a manutenção de instrumentos que garantam a presença indígena nas discussões do Legislativo.

A necessidade de ampliar as políticas voltadas à agricultura e criar novas oportunidades para os povos originários também foi mencionada por Marcio Monzilar, diretor de escola indígena do povo Balatiponé.

As manifestações receberam o apoio de José Nambiquara Txyalikisu, representante do povo Nambikwara e relator da CST Indígena, que defendeu a consolidação de uma estrutura permanente de interlocução entre as comunidades e a Assembleia.

“Em todos esses anos de existência da Assembleia, o povo indígena não teve uma referência aqui dentro. Que possamos avançar nesses instrumentos para garantir o acesso do nosso povo”, afirmou.

Etnoturismo surge como alternativa de renda e preservação

Além das reivindicações relacionadas às políticas públicas, as lideranças discutiram estratégias para ampliar a independência econômica das comunidades indígenas.

Representante do etnoturismo do povo Haliti-Paresi, Adylson Muzuywane defendeu o potencial da atividade como fonte de renda e também como instrumento de valorização da cultura e de proteção ambiental.

“O etnoturismo, além da oportunidade financeira, também ensina a preservar. Temos muito a ganhar com essa questão. E não são apenas os indígenas que se beneficiam, mas também os municípios e o Estado”, explicou.

Para Adylson, a nova Câmara Setorial poderá contribuir para transformar experiências já desenvolvidas dentro das comunidades em políticas públicas capazes de ampliar oportunidades.

“É importante que os parlamentares entendam nossas demandas para que sejam construídas soluções satisfatórias para as nossas comunidades”, disse.

Max defende ampliação das discussões

Ao receber as lideranças, Max Russi agradeceu a participação dos representantes indígenas e afirmou que a intenção da Assembleia é ampliar o espaço destinado às comunidades na discussão das principais políticas estaduais.

“Quero agradecer a confiança e a oportunidade. A vinda de vocês é muito importante para mim. Eu sempre digo que todas as grandes questões de Mato Grosso, em algum momento, passam pelo Parlamento. Por isso, trouxemos esse debate para dentro da Assembleia. Agora, precisamos ampliar esse trabalho, e ampliar bastante”, afirmou.

A presidente da CST Indígena, Paloma Velozo, avaliou que a experiência desenvolvida durante o último ano contribuiu para estreitar a relação entre o Poder Legislativo e os povos originários de Mato Grosso.

Segundo ela, a nova Câmara Setorial deverá aprofundar esse processo, incorporando novas áreas de atuação. Entre os eixos considerados prioritários estão o fortalecimento do protagonismo indígena, a autonomia das comunidades e a criação de mecanismos capazes de ampliar a geração de renda e reduzir a dependência econômica dos povos originários.