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Aranha australiana desenvolve armadilha de seda em formato de catapulta para caçar formigas agressivas

João Oliveira
23 de junho de 2026 às 09:55
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Aranha australiana desenvolve armadilha de seda em formato de catapulta para caçar formigas agressivas
Divulgação / DayNews
Foto: Divulgação

Em um dos ecossistemas mais desafiadores do planeta, pesquisadores da Universidade Macquarie desvendaram um dos mecanismos de caça mais sofisticados já registrados no reino das aranhas

 

No remoto bioma das florestas tropicais do norte australiano, uma espécie não identificada — apelidada informalmente de “ballista” em referência à antiga arma de cerco — desenvolveu uma estratégia de sobrevivência que redefine os limites da engenharia natural.

Um engenho de seda contra predadores perigosos

O estudo, liderado pelo professor Ajay Narendra, detalha como a aranha constrói uma armadilha de seda em formato de catapulta, projetada especificamente para capturar formigas agressivas. Segundo o pesquisador, o mecanismo atinge “forças de aceleração 15 vezes superiores” às enfrentadas por pilotos de caça em manobras extremas. Essa capacidade permite que a presa seja lançada a uma distância segura, longe das trilhas e ninhos de formigas, onde o risco de contra-ataque em massa é iminente.

Formigas: presas perigosas e estrategistas

As formigas não são alvos convencionais para aranhas. Muitas espécies possuem ferrões venenosos e sistemas de comunicação química que permitem recrutar centenas de companheiras em segundos. “Essas formigas são uma das presas mais perigosas para aracnídeos”, explica Narendra. A estratégia da “ballista” não apenas neutraliza o perigo individual, como também evita a ativação de defesas coletivas das colônias. “É como se a aranha estivesse praticando uma caça cirúrgica”, compara o pesquisador.

Evolução em tempo real: uma adaptação de alto risco

O mecanismo de catapulta, segundo a equipe do Dr. Jonas Wolff, surgiu como uma solução evolutiva para um problema específico: a necessidade de capturar presas que poderiam dizimar uma população local de aranhas. “A seleção natural favoreceu essa especialização extrema”, observa Wolff. A pesquisa, baseada em 10 noites de observação no campo, ainda não atribuiu um nome científico à espécie, mas os cientistas acreditam que a descoberta pode levar a novas compreensões sobre a evolução de estratégias de caça em ecossistemas tropicais.

Implicações para a ciência e além

Além de expandir o conhecimento sobre a biodiversidade australiana, a descoberta levanta questões sobre a engenharia de materiais inspirada na natureza. “A seda dessa aranha, combinada à sua mecânica de lançamento, pode oferecer insights valiosos para o desenvolvimento de novos materiais resistentes a impactos”, sugere Wolff. A equipe planeja continuar os estudos, com foco na documentação do comportamento reprodutivo e na busca por outras populações da espécie em regiões ainda não exploradas.