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A Petrobras inaugurou, na última segunda-feira, o novo pólo de venda de combustíveis em Rio Verde (GO) - (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)

“Centro-Oeste é nosso foco”, diz diretor da Petrobras

A estatal inaugurou, na última segunda-feira, o novo polo de venda de combustíveis em Rio Verde (GO). O executivo explicou que a estratégia por trás da decisão é atender a demanda por produtos como o diesel, que vem crescendo

A Petrobras inaugurou, na última segunda-feira, o novo polo de venda de combustíveis em Rio Verde (GO). Com a estrutura, a estatal espera aumentar sua participação nas vendas para distribuidoras do Centro-Oeste, tido como um mercado em franca expansão. Em menos de um ano, a petroleira dobrou o número de pontos de venda na região.

A informação, divulgada com exclusividade para o Correio, é do diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser. Nesta entrevista, o executivo explicou que a empresa está focada no mercado interno em seu novo Plano Estratégico. O objetivo é ser “a melhor alternativa” para as distribuidoras, que adquirem o combustível diretamente da estatal e o revendem. Dentro da estratégia, o Centro-Oeste desponta como o foco principal devido ao aumento no consumo de diesel e gasolina nos últimos anos, impulsionado pelo agronegócio. Confira os principais trechos da entrevista:

O que motivou a abertura do polo de vendas em Rio Verde?

Faz parte de uma estratégia maior. Recentemente, tivemos a aprovação, tanto pela diretoria quanto pelo conselho, do novo Plano Estratégico da Petrobras. Um dos direcionadores mais fortes coloca o mercado brasileiro como essencial. Nós vemos a oportunidade de que o mercado interno vai crescer tanto em combustíveis derivados de petróleo como em biocombustíveis. Então, há uma sinergia e uma oportunidade muito grandes de expansão de ofertas, que conversa com essa questão da transição energética.

Como atender esse consumo interno?

O Brasil, nesse caso, tem uma posição muito favorável. Temos uma produção significativa de petróleo. A gente tem um consumo de 2,5 milhões de barris (por dia), e uma produção prevista no planejamento estratégico de 3,2 milhões (a ser atingida daqui a cinco anos). Ainda assim, temos uma infraestrutura muito boa no país, que são as refinarias. O mercado brasileiro tem um papel fundamental nessa estratégia. Está em expansão. Se a gente olhar o consumo per capita brasileiro, está muito abaixo da maioria dos países. É o cenário que traz essa atratividade toda para que avancemos.

O Centro-Oeste responde por esse crescimento?

O foco é competir nesse mercado. Queremos ser a melhor alternativa para os clientes. Queremos ter preço competitivo, produto com qualidade, e otimizar os nossos ativos. Quando a gente olha o mercado interno, cai na questão do Centro-Oeste. Nos últimos seis anos, só para dar uma ideia, o mercado brasileiro de diesel cresceu na faixa de 20%. Na região Centro-Oeste, cresceu 40%. Então, você expande o mercado, ele monetiza a reserva de petróleo que temos, e dá a oportunidade para a transição energética. Especialmente na região, vemos esse movimento muito significativo, que é impulsionado pelo agronegócio.

Por que Rio Verde?

Nós chegamos na região principalmente através do Osbra (Oleoduto São Paulo-Brasília), ali em Senador Canedo (GO), ao lado de Brasília, passando por diversos municípios e integrando essa região. Passa por várias cidades importantes. Rio Verde fica um pouco abaixo de Senador Canedo. O sentido todo é o mercado. É o segundo maior município do Goiás, e tem o maior consumo da região. Além disso, ele é muito forte no agro.

Como a operação vai funcionar?

Fazemos o envio do diesel e da gasolina para esse pólo de Rio Verde, e armazenamos lá. Com isso, atendemos praticamente todos os objetivos de ser a melhor alternativa para o cliente, vamos nos posicionar no pólo demandador, vamos ter uma confiabilidade de entrega muito melhor, com a garantia Petrobras, e vamos interligar esse pólo com todos os ativos da região Sudeste. Faz todo o sentido. De Senador Canedo para Rio Verde vamos fazer uma operação de caminhão.

O senhor citou que a transição energética também será beneficiada. Como?

Ali em Rio Verde, existe uma produção significativa de óleos vegetais e de etanol. É uma oportunidade de utilização do frete nos dois sentidos. A Petrobras envia diesel e gasolina para Rio Verde, e há uma parceria levando o etanol até a região de Senador Canedo. Você consegue otimizar, com uma eficiência logística, aquele local. Adicionalmente, nós vamos ter uma tancagem ali em Rio Verde. O frete é uma parcela importante do custo de abastecimento de uma forma geral. Faz todo o sentido utilizar o mesmo modal para otimizar os custos.

O novo polo será voltado para o agro, ou atenderá ainda os demais consumidores?

É importante esclarecer que a nossa venda é feita para os distribuidores. Entregando produto naquela região, evidentemente que tem um atendimento para o agro, que é o que cresce muito na região, mas atende também todos os outros mercados. Pode-se atingir o consumidor direto, que adquire o produto das distribuidoras, pode-se atender eventualmente a indústria, tanto com a gasolina como com o diesel.

Em cerca de um ano, a Petrobras dobrou os pólos de venda no Centro-Oeste. Em 2023, foi em Rondonópolis (GO). O que vem pela frente?

Temos alternativas interessantes, estamos estudando a compra de vagões, e utilizar modais ferroviários para atender, inclusive, Rondonópolis. Utilizar esses modais e trazer mais eficiência ainda ao sistema. Essa estratégia para o Centro-Oeste não para por aqui. Vamos utilizar todos os modais disponíveis pela lógica de sermos a melhor alternativa para os clientes. Temos estudos bastante avançados, em função desse mercado em expansão que vemos hoje, e a gente deve avançar.

O Centro-Oeste ocupa então posição de destaque na estratégia da Petrobras?

O Centro-Oeste é o nosso foco. Vai ser um dos grandes produtores de biocombustíveis ou de óleos vegetais. Existe uma produção muito significativa de soja, de milho, e isso vai obviamente gerar uma carga, uma oportunidade de nós trazermos essas matérias-primas, que são os óleos vegetais, que pode ser o sebo, que também vem da agropecuária, e trazer isso para ser processado na Replan, uma refinaria na cidade de São Paulo. A gente chama de coprocessamento, e buscamos desenvolver a oportunidade do biorefino.

Qual a projeção da Petrobras para o crescimento do mercado interno?

Isso envolve informações sensíveis para a empresa. O que a gente pode dizer é: o que nós estamos observando é que a tendência desse mercado vai acompanhar o histórico. Você pode pegar o crescimento dos últimos anos e projetar para os próximos.

 

 

Por Correio Braziliense