A Politização do emprego

Por Jose Ribeiro da Silva*

Politização do emprego e a hipocrisia que giram em torno do assunto se transformou em argumento falacioso que dá urticária em quem convive com a realidade do mercado de trabalho.

O discurso de políticos em geral e principalmente dos governantes e grande parcela do setor empresarial giram sempre em torno de geração de empregos, quando na verdade a finalidade é outra, mas que para ser concretizada vai gerar empregos naturalmente.

O governo promete liberar verbas para construção civil e já vem a lenga-lenga que isso vai gerar milhões de empregos, sendo que na prática o objetivo principal não é a geração de emprego, mas fomentar a economia como um todo e a geração de empregos é parte do processo.

Governos estaduais e prefeituras no lançamento de uma obra, antes de enumerar seus benefícios apelam para falácia que durante a obra serão gerados determinado número de empregos.

Veja por exemplo o que ocorreu entre 2007 e 2012 quando governo federal alardeava que houve a geração de milhões de empregos com carteira assinada, quando na realidade o que houve foi a formalização de pelo menos 2/3 desses empregos. Pessoas que já estavam empregadas na base da informalidade, mas o governo faturava como se fosse geração de novas vagas.

Mas se houve geração de tantos empregos, por quê o desemprego não recuava na mesma proporção?

Outra questão que deveria ser tratada com mais urbanidade por parte de entidades que se propõe ajudar os desempregados como ocorre principalmente em São Paulo e temos visto pela imprensa que determinada organização sindical convoca a população para disputar determinado número de vagas, com data e local definido, sem a mínima consideração pelas pessoas que vão em busca do trabalho.

Longas filas se formam sob sol e chuva, em pé, sem banheiro por perto e sem água. Essa concentração de desempregados não deveria ser realizado em um ginásio de esportes ou qualquer outro espaço que ofereça o mínimo de dignidade?

Todos aguardariam sentados na sombra e pelo menos com instalações sanitárias à disposição.

Por outro lado o cidadão vai abrir uma empresa ou uma filial cujo objetivo absolutamente normal é vender mais, mas divulga que investirá “X” milhões de reais para geração de uma centena de empregos, quando na verdade está disposto a investir seus R$ milhões para ampliar sua capacidade de produção ou de vendas e ser mais competitivo, porque se o objetivo fosse gerar empregos não faria pesquisa mercadológica e levaria seu empreendimento para onde houvesse maior necessidade de geração de emprego, independente se o empreendimento era economicamente viável, mas naturalmente, não é o que acontece.

Se o propósito era gerar emprego, não haveriam tantas demissões como primeira medida que geralmente é adotada quando se trata reduzir despesas diante de uma crise.

Até nas manifestações de empresários contra o fechamento das empresas por causa da pandemia do coronavirus, vem a lenga-lenga de preservação dos empregos.

Temos visto dezenas de empresários que saem às ruas em carreta ou vão para frente da prefeitura com o slogan: “A Favor da Vida dos Trabalhadores”.

Determinado segmento do comércio recente fez veicular um vídeo dizendo que precisamos reabrir nossas empresas para poder garantir a manutenção de centenas de empregos.

Esse pessoal por acaso, tem vergonha de reivindicar o justo direito de poder reabrir suas empresas e poder trabalhar, produzir e vender?

Não. O que existe é a politização do emprego como instrumento de pressão, qualquer que seja a situação. Geração de emprego virou falácia, instrumento de pressão ou moeda de troca.

Como consultor e gestor fico observando ambos os lados, como no caso de lojistas de shopping centers por exemplo, dois meses fechados e sem perspectiva de uma data para abrir. Alguém tem a mínima ideia de como deve estar a situação financeira dessas empresas?

Diante disso nada mais justo do que batalhar para reabertura para poder vender e sobreviver.

Há poucos dias uma grande empresa que devido a pandemia teve que reduzir a jornada de trabalho e conceder férias aos seus funcionários assim como tantas outras, para evitar as demissões.

Ocorre que que a referida empresa teve supressão de parte dos benefícios fiscais e agora está ameaçando demissões caso não consiga de volta os benefícios fiscais suprimidos.

Em seu comunicado a empresa diz que sabe de seu papel social na geração de emprego e renda, mas dizem que agora chegou no limite. Não há o que fazer a não ser demitir”. Infelizmente, o número de desempregados tende a aumentar caso essa decisão se mantenha”.

Ou sej, falam em papel social, geração de emprego, mas usam os trabalhadores como escudo para pressionar o governo do Estado

Essa mentalidade precisa mudar e tem que começar lá de cima, do governo federal, governos estaduais, prefeituras e empresas.

* José Ribeiro da Silva é Consultor e Palestrante há 24 anos.
Graduado em Administração pela PUC-PR, com pós-graduação em Gestão de Custos e MBA em Gestão Tributária
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